terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ainda nem esfriou a vitória nas eleições e...

Na comuna do Lutembo, município do Lumabala Nguimbo, província do Moxico, o Administrador local, Cristiano Maliti orientou a retirada de bandeiras do PRS e da UNITA no dia 17 de Setembro corrente nos bairros daquela circunscrição.
De acordo com fontes no local, o Administrador e primeiro Secretário Comunal do MPLA, orientou um grupo de 4 miliatres das FAA sob comando do Sr. Mamionga, que começou com a operação no Bairro de Kawiyama.

A missão deste efectivo é de retirar as bandeiras da UNITA e do PRS nos bairros ao longo da estrada que liga o Lumabala Nguimbo à cidade do Luena, capital da província do Moxico.

Num outro desenvolvimento, enfermeiros que no quadro do Protocolo de Lusaka integraram pela UNITA os serviços públicos de saúde, foram ameaçados de perderem os seus empregos na Comuna da Galanga, no município do Londuimbale, província do Huambo.

Falando à Rádio Ecclésia nesta segunda-feira, um dos afectados disse que as ameaças foram proferidas por supeirores hierárquicos dos serviços de saúde na Galanga afectos ao MPLA, que acusam as vítimas de terem servido como delegados de lista da UNITA nas eleições de 5 e 6 de Setembro.

As ameaças foram abrangentes para os familiares dos enfermeiros em causa, dentre eles esposas e filhos que são intimidados por se identifarem com o Galo Negro.

Recorde-se que na manhã do último Sábado, 20 de Setembro, o executivo muncipal da UNITA no Andulo, provincia do Bié, foi raptado em plena reunião de trabalho, por elementos da cpolícia nacional, a mando do seu comandante municipal.

Os quadros da UNITA chefiados pelo seu titular no Andulo José Chindele, foram soltos horams mais tarde depois da intervenção do Comandante provincial da polícia por se confirmar não terem cometido crime algum.

Este é o quadro que se verifica depois dos resultados eleitorais, onde o MPLA saiu vencedor contrariando assim as promessas de uma governação democrática e ao serviço de todos os angolanos.

domingo, 7 de setembro de 2008

A verdade segundo os donos do poder
- Sócrates em Lisboa, MPLA em Luanda

Em Luanda não foram publicitados com a devida antecedência os locais de funcionamento das assembleias de voto e os cadernos de registo eleitoral, para permitir uma eleição ordeira e organizada.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

O mapeamento das Assembleias de Voto fornecido aos partidos não correspondeu à sua disposição real. Nos termos do Artigo 101º da Lei Eleitoral, os cadernos eleitorais deveriam ter sido publicitados pelos menos 25 dias antes da eleição.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Assim como não pode haver sociedade sem direito, nem democracia sem liberdade de imprensa, assim também não pode haver eleição democrática sem cadernos eleitorais. Na maior parte das mesas, a votação foi feita sem cadernos eleitorais, em papel ou em formato digital.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Foram violadas as regras de votação consagradas no número 2 do Artigo 126º da Lei Eleitoral que estabelece a obrigatoriedade de se verificar a identidade do eleitor em conformidade com os cadernos eleitorais, de se dar baixa daqueles que já votaram e de se observar os instrutivos da Comissão Nacional Eleitoral. Nada disso foi feito.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Os membros designados e formados para trabalhar nas mesas de voto foram substituídos por elementos estranhos e sem a formação adequada para a função. Em resultado, nem as disposições legais nem os instrutivos da CNE foram observados.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Em contravenção ao disposto no Artigo 108º da Lei Eleitoral, a Comissão Nacional Eleitoral não assegurou, em tempo útil, o fornecimento a cada mesa da assembleia de voto, de todo o material necessário, incluindo os cadernos eleitorais e os boletins de voto. Ora, mesmo sabendo que os boletins de voto eram limitados por assembleia, a CNE tornou público que os cidadãos poderiam votar em qualquer lugar dentro do seu Município. Esta medida, associada à não observância da Lei, contribuiu para o colapso do sistema e a exclusão de eleitores.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

A CNE não credenciou mais de metade dos delegados de lista designados pela UNITA. Assim, a eleição foi realizada sem a fiscalização adequada em cerca de metade das mesas de voto.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Sem cadernos eleitorais, com membros das mesas substituídos por agentes estranhos e sem fiscalização, não é possível concluir que todos os votos expressos sejam legítimos. Também não é possível estabelecer com rigor o número de assembleias de voto que não abriram ao público no dia da votação. Tanto assim é que, na sexta-feira, o Presidente da CNE afirmou que as assembleias que não tinham tínham sido abertas eram 320. No dia seguinte, afirmou que eram apenas 48, levantando dúvidas sobre o destino das restantes.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Não é possível garantir que foi dado destino legítimo aos boletins de voto não utilizados no dia da votação, tal como não se pode garantir que cada eleitor tenha votado uma só vez. O uso da tinta indelével sem os cadernos eleitorais é insuficiente para assegurar a unicidade do voto.

Segundo o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, isso não impediu a livre expressão das preferências.

Por último, se o Governo de Lisboa e o seu congénere e aliado angolano, MPLA, são os donos da verdade, nada mais nos resta do que aceitar a ditadura democrática de Lisboa e a ditadura pura e simples de Luanda.

Tudo, é claro, a bem da diplomacia económica dos dois lados onde poucos continuam a ter cada vez mais milhões, e onde cada vez mais mihões continuam a ter pouco ou nada.

sábado, 6 de setembro de 2008

Será que como Robert Mugabe
só Deus poderá demitir o MPLA?

A UNITA vai impugnar as eleições angolanas, segundo confirmou hoje o dirigente e presidente do grupo parlamentar do partido, Alcides Sakala. Não adianta.

O MPLA, que fez as regras do jogo, que é árbitro e jogador, que é dono do campo, não o permite. Por muito que as irregularidades o justifiquem (e justificam), não adianta julgar-se que se está num Estado de Direito quando, de facto, (ainda) se está num reino onde o soba põe e dispõe.


A decisão de impugnar o escrutínio foi hoje confirmada por Alcides Sakala depois de na noite de ontem já o presidente do partido do Galo Negro, Isaías Samakuva, ter exigido a anulação e a repetição das eleições em Luanda devido ao seu "colapso" nesta província.

Até mesmo os observadores internacionais, também eles iludidos quanto a Angola ser um Estado de Direito, foram aconselhados a moderarem as críticas.

Alcides Sakala adiantou ainda que a UNITA está a recolher em todas as 18 províncias de Angola os "inúmeros casos" de irregularidades, incluindo "falhas organizativas, impedimento de eleitores votarem, violência e intolerância políticas" para completar o processo de impugnação das eleições que vai ser enviado ao Tribunal Constitucional.

Como sempre, os órgãos oficiais do MPLA (Jornal de Angola, TPA, RNA) ajudaram à festa no sentido de corroborar as teses do soba Eduardo dos Santos. Ou seja, garantem que tudo correu às mil maravilhas.

Entretanto, também já hoje, o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Ngola Kabango, considerou que o processo eleitoral das legislativas de ontem "não tem credibilidade" e que os resultados "serão sempre duvidosos".

Kabango tem razão mas comete o mesmo erro da UNITA. A força da razão só é válida quando aplicada a um país que não usa a razão da força. Não é o caso de Angola.

Ngola Kabango considerou que as segundas eleições angolanas resultaram de "um trabalho torto" mas, escusando-se a pedir a anulação, disse que a CNE "vai ter que aceitar e decidir com os partidos uma solução para salvar o processo eleitoral".

O MPLA mostra-se contudo receptivo a adoptar a regra de Robert Mugabe: “Aceitamos rever tudo desde que continuemos nós a ser donos do país”.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Maioria qualificada para o MPLA? Quem a descobriu?

Um portal noticioso sedeado no Brasil, de nome Portugal Digital, afirma com a segurança que só ele sabe de onde retirou – provavelmente a mesma segurança que dirigentes do MPLA e alguns diplomatas têm tentado mostrar em reuniões com diplomatas estrangeiros – que o MPLA vai, seguramente, obter uma clara maioria qualificada.

Considerando que devido à dispersão humano-territorial – Angola tem cerca de 14 a 15 milhões de habitantes e quase 1/4 vive em Luanda – e à elevada concentração de população em Luanda onde o MPLA nesta altura dá mostras de uma certa e manifesta fraqueza;

Tendo em linha de conta que os responsáveis técnicos da campanha do MPLA são brasileiros, com a particularidade do responsável máximo ter sido – ou é – funcionário da Rede Globo de notícias, próxima do poder de Luanda que domina a TPA;

Argumentado o portal que a sondagem foi feita por uma equipa angolano-brasileira – provavelmente a mesma que assessora o MPLA na campanha – tendo ouvido 4000 pessoas em 18 províncias;

Apreciando que se alguém me fizesse uma pergunta dessas e sabendo que são brasileiros que estão a apoiar o MPLA eu nunca iria dizer que iria votar noutro partido, o que deixa no ar que a qualidade do voto livre e do livre pensamento dos Angolanos é diminuta, como a própria e insuspeita Chatham House (Instituto Britânico de Relações Internacionais) relembra;

Ponderando que o Governo brasileiro de Lula da Silva deseja que o MPLA se mantenha no poder para fazer de Angola, como já acordou, um “celeiro” para provir a matéria-prima necessária para o biocombustível e sabendo que a oposição é contrária a essa vontade;

Tendo em consideração que militantes do MPLA são claros e frontais – pelo menos aqueles com quem falei e sei com quem posso contar – que a grande preocupação do partido é conseguir, pelo menos, a maioria absoluta;

E, finalmente, considerando que Angola não tem condições para serem feitas sondagens, além de que as mesmas são proibidas desde o início da campanha;

É estranho, muito estranho, que o referido portal noticioso consiga ser tão ambicioso nos números apresentados, ou não estivesse o Portugal Digital associado à CCA - Consultores de Comunicação Associados, por sua vez, associados à Editora Movimento (próxima do MPLA), à revista Africa21 (próxima do verdadeiro poder em Luanda);

Será porque em Brasília e Lisboa alguém anda a começar a segurar as calças com medo de alguma eventual diarreia mento-anal?

Mas se pensarmos que a CNE (Comissão nacional Eleitoral) se anda a esquecer de dar as credenciais para os observadores da oposição em algumas províncias do País, então…

Vamos lutar pela Mudança e mostrar que os brasileiros estão e continuam a estar enganados, porque Angola não lê os mesmos cadernos eleitorais nem da mesma forma que o Brasil… onde até cadastrados ou eventuais homicidas são potenciais elegíveis!
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Isaías Samakuva recebido em apoteose na segunda praça eleitoral do país

A comuna do Bunjei, adstrita ao município do Chipindu, na província da Huíla, foi a primeira localidade escalada pelo presidente da UNITA, no dia 26 de Agosto de 2008, vindo da província do Huambo.
A delegação do líder da UNITA foi recebida por cânticos e muito entusiasmo pela população daquela urbe que desde as primeiras horas da manhã deste mesmo dia, aguardava o líder do Galo Negro.
A coordenadora da campanha eleitoral na província da Huíla, Miraldina Olga Jamba, que é também a presidente da Liga da Mulher Angolana (LIMA), apresentou cumprimentos de boas vindas, ladeada pelo secretário provincial do Galo Negro, Victor Lopes.
Neste mesmo dia o presidente da UNITA presidiu um comício na comuna do Bunjei, no qual participaram milhares de populares. Na ocasião, Isaías Samakuva reafirmou a posição do seu partido em trazer aos angolanos a paz social.
Já no dia 27 de Agosto de 2008, o líder da UNITA presidiu a um comício popular na sede do município do Chipindu, tendo logo de seguida orientado também comícios nas comunas de Ngalangui, KM – 50, assim como na sede municipal do Kuvango. Milhares de munícipes destas localidades acorreram nos locais onde decorriam os comícios no intuito de ouvirem a “voz da mudança”.
O presidente da UNITA para além de apresentar as linhas mestras da governação da UNITA, caso ganhe as eleições legislativas do dia 5 de Setembro, também explicou os moldes em que os cidadãos irão votar.
A corrupção institucionalizada, bem como outros males que enfermam o nosso país, constituíram as linhas mestras pelas quais o líder da UNITA, defendeu como prioridade na mudança.
“No nosso governo não vamos tolerar a corrupção. Este mal vai ser combatido a todos os títulos”, tendo reafirmado que as causas que levam Angola para este caminho já foram detectadas pelo seu Partido.
“Os enfermeiros, professores e outros trabalhadores da função pública ganham mal. E muitas vezes entram em negócios que em nada os ajudam”, enfatizou.
Isaías Samakuva pediu as pessoas a votarem no Partido que desde sempre defendeu um trabalho e salário dignos para todos.
De referir que no prosseguimento da sua visita na província da Huíla, Isaías Samakuva tem agendado um comício popular neste dia 28 de Agosto do corrente, na sede do município da Matala, onde a par de outras localidades por onde já passou, milhares de munícipes estão ávidos de ouvirem a “voz da mudança” em Angola.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Militantes da UNITA feridos em Benguela

Oito militantes da UNITA foram gravemente feridos na sequência dum ataque ocorrido na província de Benguela protagonizado, supostamente, por indivíduos afectos ao MPLA.

O secretário provincial da UNITA, Vitorino Nhany, disse que o incidente ocorreu este fim de semana quando uma delegação da UNITA composta por deputados e altos dirigentes do seu partido se deslocava para a comuna da Macamombolo, município do Balombo, e foi surpreendida por um grupo de indivíduos afectos ao partido no poder que arremessaram pedras contra as viaturas que apoiava a referida comissão.

O dirigente partidário acusou o comandante municipal da Policia e da Defesa Civil do Balombo, bem como o administrador daquele município, que por sinal é primeiro secretario do MPLA, de serem os autores morais do acto.

Nhany não descarta a hipótese dos observadores do seu partido não acompanharem as eleições naquela área por não haver garantias de segurança, o que poderá indiciar fraude eleitoral.

«Neste momento que nós não hasteamos a nossa bandeira interrogamo-nos: como é que nós vamos acompanhar a fiscalização do processo eleitoral ? Não aconteceram situações de termos eleições aleivosas naquela área com o engravidamento de urnas ?»

O secretário da UNITA lembrou ainda que na comuna de Macamombolo, recentemente, foram incendiadas sete residências de militantes do seu partido, uma acção que, segundo o político, foi praticada por um activista do partido no poder em Angola, sem que as autoridades tomassem medidas.

Entretanto, o comando provincial da Polícia confirmou a ocorrência deste fim de semana, mas diz tratar-se dum motim levantado pela população, descartando a hipótese de haver motivações políticas.

Por seu turno, Katila Pinto de Andrade responsável pelo projecto de Direitos Humanos e Democracia da Fundação Open Society-Angola (FOSA) disse que a protecção dos direitos humanos durante as eleições estimula a confiança pública no sistema por parte dos actores políticos e da população eleitora.

Segundo esta responsável, a intolerância política que se regista em algumas áreas do país impõe uma reflexão profunda e a tomada de medidas enérgicas da parte das autoridades angolanas por ser um dos factores que cria instabilidade política e social durante e após as eleições.

«Se não se tomarem mediadas urgentes e enérgicas para se por cobro a este tipo de situações é claro que corre sempre aquele risco de as coisas não correrem muito bem e , de se criarem certas tensões , certos conflitos.»

Para Katila Pinto de Andrade, actualmente a situação está controlada, mas inspira alguns cuidados e cabe também aos líderes de partidos políticos incentivarem os militantes do seus partidos a respeitarem o código de conduta eleitoral como mecanismo de prevenção de conflitos.

A Open Society em parceria com a ONG local Acção Angolana para o Melhoramento e Apoio ao Meio Rural(AMMAR) realizou, recentemente, em Benguela, uma conferência sobre eleições, lideranças e participação popular, onde foi feito o resumo do primeiro relatório em Angola sobre intolerância política e eleições angolanas de 2008 que a Open Society deverá publicar brevemente.

Durante o evento ficou claro que a ausência de mecanismos eficazes de fiscalização por parte da Procuradoria-Geral da República para o controlo género da legalidade tem afectado os direitos civis e políticos em período pré-elitoral em Angola.

Enquanto isso, a Chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE), Luisa Morgantini deixou ontem a província de Benguela depois dum périplo que a levou também ao Huambo onde realizou encontros com governantes , partidos políticos e grupos da sociedade civil, a fim de se informar sobre as preparações eleitorais nas duas províncias.

Fonte:
http://www.multipress.info/
Imagem:
http://altohama.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A Imprensa tem de Mudar

A Imprensa Pública angolana tem de Mudar!

Para isso contamos com a Comissão Nacional de Eleições de Angola para tornar mais equitativa a distribuição de informação pelos órgão públicos angolanos, nomeadmente o Jornal de Angola, o grupo RNA, a ANGOP e a TPA.

Sobre esta problemática um artigo de Eugénio Costa Almeida publicado no blogue Pululu, com o título "Na curva final, que imprensa e que CNE? ":

Angola entrou na curva que antecede a recta final da grande meta que vai ser as eleições legislativas de 5 de Setembro.
Os partidos, com maior ou menos dificuldade vão tentando mostrar ao potencial eleitorado as suas virtudes e desmontar os erros e as falácias dos seus opositores.
Com maior ou menos dificuldade o eleitorado tenta perceber quem irá estar em melhores condições para no 6 de Setembro haver um que diga eu ganhei e os outros assumam sem problemas a não vitória e a sua capacidade para serem os árbitros e juízes do que o vencedor fará durante os próximos 4 anos.
Como potencial eleitor que não me deixaram ser, o que contrariou os artºs 3º. nº1 e 5º. nº2, da Lei 3/05 de 1 de Julho de 2005, e Cap. I artºs 3º. nº 1 e 8º., do Decreto-Lei 58/05, de 24 de Agosto de 2005, saberia que iria querer, como a grande maioria do eleitorado angolano, uma clara
Mudança.
Não sou um eleitor, porque alguém assim o decidiu contrariando o disposto nos artºs 3º. nº1 e 5º. nº2, da Lei 3/05 de 1 de Julho de 2005, e Cap. I artºs 3º. nº 1 e 8º., do Decreto-Lei 58/05, de 24 de Agosto de 2005. Mas isso não impede que queira saber o que pensam os outros candidatos.
Não o sou, mas tenho estou suficientemente politizado para saber o que quero e estômago protegido para não ir nas conversas daqueles que estiveram anos para fazer coisas e agora até auto-estradas querem inaugurar.
Apesar da não ser eleitor quero, e tenho o direito de saber o que pensam os candidatos daqueles que não pensam como eu. Estamos ou não num regime democrático ou potencialmente direccionado para a democracia.
Somos ou não livres para pensar e falar o que queremos?
Se assim é então temos o direito de ser informados com isenção pela comunicação social pública já que quem a paga não é o partido X ou partido Y.
Esses se querem publicidade livre pagam para aparecer como tal. Como o fazem, por exemplo, no Semanário Angolense.
Por isso não compreendo como a Comissão Nacional de Eleições (CNE) continua a autorizar que um director de um Jornal público e único diário – o Jornal de Angola – continue a escrever editoriais claramente a favor de um partido e denegrindo os restantes.
É ilegal e contraria o que pediu o senhor Presidente da República José Eduardo dos Santos, além de ser contrário ao disposto no Capítulo I, artº 30º do Decreto-Lei 58/05 já anteriormente referida.
Tal como não se entende que os noticiários da TPA Internacional que retransmitem os emitidos em Angola só façam e apresentem notícias do MPLA e da sua propaganda política esquecendo-se ostensivamente os demais partidos.
Senhores conselheiros da CNE, apesar de não votarmos, esta atitude da TPA Internacional é ilegal e contraria o que pediu o senhor Presidente da República José Eduardo dos Santos, além de ser contrário ao disposto no Capítulo I, artº 30º do Decreto-Lei 58/05 já anteriormente referida.
É certo que a coordenadora dos jornais emitidos na TPA internacional é militante do MPLA e uma das personalidades com mais poder no País. Mas isso não lhe deve dar o direito nem autoridade suficiente para impedir a isenção que é exigível a um órgão de informação pública como é a TPA.
Por isso cabe a CNE tomar as providências que lhe são devidas e penalizar quem anda a pôr em cauda o artº 40. (Limites à Propaganda Eleitoral) do capítulo I da já citada Decreto-Lei 58/05 de 24 de Agosto de 2005 a que se acresce os artº 48º. (Publicações Periódicas) e 49º. (Estações de Rádio e de Televisão)).
Vamos aguardar pelo que vai fazer a CNE.
Infelizmente não me deixaram ser eleitor, por essa razão, também não posso votar. Mas nada me impede de dizer que desejo que no próximo dia 5 de Setembro os meus compatriotas votem pela
Mudança... que o 11 nos oferece!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ameaças contra Numa mostram como
funciona quem está no poder há 33 anos

Elemento afectos à Direcção Nacional de Investigação Criminal de Angola (órgão ao serviço do patrão, o MPLA) importunaram na manhã de hoje o corpo da guarda pessoal e a família do secretário-geral da UNITA, Abílio Camalata Numa, segundo denunciou este dirigente da oposição em declarações a Voz da América.

Camalata Numa disse que tudo aconteceu quando ele se preparava para abandonar a sua casa, no Bairro Popular, em Luanda, em direcção ao local de trabalho.

«As pessoas sabem que eu moro naquele sítio e tenho guardas que estão armados. Quando eu ía a sair apareceram dois carros com dois polícias fardados e quatro à paisana mas vestidos com coletes de polícia de busca e captura. Eles atiraram-se para cima do meu pessoal inclusivamente a minha família e começaram a perguntar por que é que tinham armas. Eles são polícias e pertencem à UPIP, estão autorizados não havendo nisso nada de anormal», esclareceu.

O secretário-geral da UNITA considera o incidente como sendo um acto premeditado visando intimidar a sua mulher e restantes familiares e lamenta que actos do género estejam a ocorrer um pouco por todo o país.

«Mesmo depois de informados de que era o secretário-geral que estava ali houve alguns que tentaram embirrar. É uma forma de intimidação numa altura em que se considera isto (as eleições ) uma festa. É de lamentar que estes actos de intimidação aconteçam aqui mesmo em Luanda com atitude de provocação deliberada», disse Camalata Numa.

Camalata Numa diz mesmo não ter dúvida em como a acção não resultou de qualquer desconhecimento por parte dos agentes de que naquele local residia um dirigente da UNITA.

... e depois venham dizer-me que o presidente da República e do MPLA apelam à tolerância.

... e depois venham dizer-me que não são cada vez mais as semelhanças com o que se passou em 1992.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Adriano Parreira foi para a rua
porque ousou apoiar a UNITA

Em cada dia que passa o MPLA mostra o que muitos já sabíamos e o que muitos desconfiavam. Quem não for, pelo menos publicamente, do MPLA está condenado. Condenado ao desemprego, à marginalização e até – se for o caso – a chocar contra uma bala perdida (é claro). Que o diga Adriano Parreira.

Adriano Parreira, que ocupava por contrato o cargo de Director do Centro de Estudos, Investigação e Pós-Graduação da Universidade Lusíada de Angola (ULA), foi afastado – segundo o próprio – por ter manifestado o seu apoio à UNITA.

Assim se vê o que é a democracia e o Estado de Direito para o partido que desgoverna Angola há 33 anos.Adriano Parreira é, igualmente, o presidente do Partido Africano Independente (PAI), que anunciou participar no processo eleitoral em curso, apoiando a candidatura da UNITA.

E, convenhamos, ser apoiante da UNITA é para o MPLA um crime de lesa pátria. A democracia deles é essa mesmo.Parreira acusa o administrador da ULA, Rui Mingas, de ser o impulsionador da medida.

“Rui Mingas afirma que pesou na sua decisão o facto de ter sofrido pressões do seu partido, o MPLA», escreveu Parreira em queixa formal mandada anteontem ao presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

É claro que Rui Mingas pode, porque é do MPLA, aparecer nos “spots” publicitários desta instituição espalhados pela cidade, nos quais o mesmo aparece apelando para o voto a 5 de Setembro próximo.

Adriano Parreira, que ingenuamente julga que Angola é um Estado de Direito, apresentou cópias da queixa ao Procurador-Geral da República, Tribunal Constitucional e União Europeia.

Cá para mim, na nota final da decisão, Rui Mingas deve ter escrito qualquer coisa do tipo: “proponho que Adriano Parreira seja castigado com peixe podre, fuba podre, 30 angolares e porrada se refilar”. Lembram-se?

Nota: Texto publicado no http://altohama.blogspot.com/

domingo, 17 de agosto de 2008

As 10 razões de Sousa Jamba* para votar na UNITA

1. Alternância Política. O MPLA está no poder desde de 1975. Neste tempo, um país como os Estados Unidos, por exemplo, já viu administrações como a do Reagan, Bush pai e filho, e, provavelmente, verá a de Obama ou MacCain. A alternância política garante a reciclagem de ideias, formas de trabalho, encoraja a cultura da transparência, já que as instituições de governação não se tornam em meras redes de patrocínio da elite que retém o poder.
2. Alargamento do processo de governação. A UNITA tem fartamente demonstrado que está sempre pronta a cooperar com quadros angolanos mesmo com aqueles que têm um perfil sociológico não idêntico ao da maior parte dos seus dirigentes. Há centenas e centenas de quadros angolanos cujos talentos não estão a ser postos ao serviço da nação angolana porque o sistema governativo actual tornou-se cada vez mais enferrujado.
3. Credencias democráticas. A luta da maioria dos militantes da UNITA foi sempre pela democracia. Muito membros da UNITA resistiram aos instintos centralistas da sua antiga liderança. É por isso mesmo que houve, naturalmente, dissidências no partido que agora já não existem. O presidente do partido, eleito por voto secreto, tem um mandato de quatro anos renovável uma única vez. Ele presta contas a vários órgãos do partido. Em África são muito poucos os partidos que adoptaram este modelo. É exactamente esta cultura, da transparência e da renovação periódica dos mandatos, que deve ser implantada no nosso país.
4. Afirmação do angolano e sua cultura. A UNITA sempre zelou pela valorização da nossa identidade africana, um conceito que muitas vezes foi mal interpretado, sobretudo por aqueles que temem um debate sério sobre a nossa identidade. A afirmação da herança africana do angolano traduzir-se-á num programa sério de promoção da nossa cultura. A afirmação do angolano implicará que ele tome prioridade na gestão de vários aspectos da nação.
5. Promoção da cultura de transparência. Angola é hoje referida em todas as listas dos países mais corruptos do mundo. O mundo ri-se de nós: temos tantas riquezas, mas boa parte das receitas do país desaparecem. A UNITA sempre insistiu na cultura de transparência e prestação de contas. Estes são valores que o próprio presidente da UNITA, Isaías Samakuva, sempre valorizou. Nem mesmo os seus mais acérrimos adversários podem acusar Samakuva de não ser íntegro. Uma maioria parlamentar da UNITA daria um fortíssimo impulso a esta luta para assegurar que a herança de todos nós não se confine a um grupo que detenha o poder político no país.
6. A valorização da educação. A formação de quadros é algo que sempre foi muito valorizado na UNITA. Mesmo nos tempos mais difíceis, a UNITA desenvolveu várias iniciativas para a alfabetização dos camponeses. O desenvolvimento da nação angolana só será possível com um investimento notável no seu sistema educacional. A formação de quadros angolanos, em todo o país, terá de ser uma prioridade estratégica do Estado. Isto só será possível quando a UNITA conquistar o poder para fazer com que as instituições estatais passem a implementar tais programas.
7. Valorização do interior e do campo. A Angola urbana está, neste momento, a sofrer o que certos economistas identificaram como a doença holandesa. Isto acontece quando uma nação altamente dependente de divisas provenientes de um só produto – neste caso o petróleo – gasta este dinheiro em importações. O problema é que tal cultura prejudica as outras áreas de produção, como a agricultura. O futuro de Angola reside não nas importações mas na agricultura. O país tem se ser capaz de produzir comida suficiente para os cidadãos. Isto significa a priorização da produção do interior. Só a UNITA é que poderá enfrentar este problema com a abertura de espírito e flexibilidade necessárias.
8. Consolidação da Paz. Desde a assinatura dos Acordos de Paz, a UNITA e a sua liderança têm trabalhado afincadamente para a sua consolidação em todo território nacional. A liderança da UNITA tem encorajado os generais que fazem parte do exército unificado a reenfocarem o processo de reconciliação nacional. Em locais onde haja possibilidade, mesmo que remota, de choques entre militantes da UNITA e do MPLA a liderança do nosso partido sempre optou pela reconciliação e consenso. Um parlamento liderado pela UNITA consagraria esta cultura.
9. Maior envolvimento em projectos africanos. Em vários países africanos existe a noção de que Angola é um pais que prefere manter-se à distância e valoriza mais as suas relações com Portugal e Brasil. Esta é, infelizmente, uma percepção que não refl cte os desejos da maioria do povo angolano, que gostaria, claro, de aprofundar os seus laços com o resto do continente africano. O futuro da economia angolana está ligado à sorte das economias dos seus vizinhos. Por essa razão deveria promover-se relações de base com o resto do continente. Nos últimos tempos Isaías Samakuva tem viajado por várias partes do nosso continente onde tem sido recebido com muito entusiasmo.
10. Garantia dos direitos humanos. As liberdades do cidadão estarão sempre em causa. Alguns detentores de poder tentam, de várias formas, restringir os direitos do cidadão. Diariamente tomamos conhecimento de violações dos direitos do cidadão comum. Seria desonesto dizer que na história da UNITA os direitos humanos foram sempre respeitados. Porém, houve sempre vozes, mesmo nos piores momentos, que criticaram os excessos de algumas figuras do partido. E, felizmente, as vozes que criticavam é que prevaleceram no partido. Num parlamento com uma maioria da UNITA a questão do respeito dos direitos humanos dos cidadãos comuns passaria a ter muita importância.

* Sousa Jamba, Professor Universitário e Colunista do Semanário Angolense; publicado no Semanário Angolense, edição de 277, de 9/16 de Agosto

Eleições livres e justas é o que queremos que sejam!

*por Eugénio Costa Almeida

Eleições livres e justas em Angola é o que todos desejamos e ansiamos, mas quando é o mediador de um grave problema chamado Zimbabué que o afirma, tão categoricamente, começamos a temer que isso não será verdade.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, afirmou ontem, na cerimónia de abertura da 28ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, que as eleições em Angola “serão livres e justas”porque o processo de preparação do acto eleitoral “transmite confiança à comunidade internacional de um exercício transparente nas eleições legislativas”.
Quando surgem sondagens fantasmas e artesanais criadas pelos subservientes analistas muito bem pagos – só podem ser mesmo muito bem pagos ao ponto do seu coordenador solicitar suspensão do trabalho na Rede Globo onde era (é) um conceituado profissional – em circunstâncias pouco credíveis como foi já aqui analisado, bem assim pelo catedrático Francisco Cangue e pelo jornalista Orlando Castro ou por alguns órgãos de informação angolanos independentes;
Quando caravanas dos partidos oposicionistas ao MPLA são atacadas, simpatizantes detidos, comícios boicotados;
Quando em 33 anos de poder, aliados a 6 bons anos de Paz, o Povo vê personalidades aumentarem os seus proventos, nomeadamente comprando quintas e empresas na Europa e nos EUA, e padecem de fome;
Quando os partidos oposicionistas, nomeadamente os méis pequenos, tiveram dificuldades, umas logísticas outras claramente que lhe foram impostas para conseguirem se inscreverem no Tribunal Constitucional para estarem presentes no pleito eleitoral;
Quando a campanha eleitoral só é possível nas ruas ou nos panfletos políticos porque os pequenos partidos não têm à sua disponibilidade uma televisão do Estado, paga por erário público, mas só ao serviço de um único partido, o MPLA (basta ver as notícias que passam nos telejornais nacionais em rodapé só se reportam ao partido que está no poder há cerca de 33 anos);
É pouco crível afirmar que as eleições vão ser justas e livres.
E quando o homem que proferiu esta certeza é o mesmo a quem a SADC incumbiu de mediar a crise política do Zimbabué, que tudo tem feito por manter o senhor Mugabe como presidente daquele país mesmo que toda a Comunidade Internacional, incluindo a própria SADC manifestem as suas reservas, nuns casos, ou afirmem, noutros que as eleições presidenciais foram a maior fraude reconhecida em África, então estamos todos conversados!
Vamos ter de mostrar que desta vez ele poderá ter razão e denunciar publicamente os actos menos claros que o poder faz na rua.
Vamos todos trabalhar para que haja a Mudança em Angola mesmo que isso atrapalhe as contas de alguns senhores de Brasília ou de Lisboa!
Angola tem 15 dias para politizar também o estômago dos angolanos!


*Publicado no blogue “Pululu

Propostas de mudanças da UNITA
conquistam os angolanos

A 19 dias das eleições legislativas em Angola, programadas para 5 de Setembro, o país respira um novo clima gerado pela corrida eleitoral, que aponta para uma mudança radical do regime político. Nas ruas, praças e bairros das 18 províncias que constituem a nação angolana é notória a participação popular, que manifesta-se a favor das propostas da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), principal partido da oposição.

O líder carismático e pacifista da legenda, Isaías Samakuva, lançou em Luanda, na sexta-feira 16, durante a Reunião dos representantes da União dos Partidos Africanos Para o Desenvolvimento da Democracia (UPADD), o Programa “Angola Sem Fome”, facto que contribui para fazer crescer a identificação da maioria do povo angolano com as metas para um futuro governo.

“A mudança que a UNITA propõe não é começar tudo de novo. É uma mudança que respeita todos aqueles que construíram o país e a sua obra. É uma mudança sem sobressaltos, sem revanchismo. Não é uma mudança para excluir ninguém, mas sim para incluir a todos. Mas é uma mudança que vai fazer o que o actual governo não soube: Acabar com a fome e o abismo que separa um país rico do seu povo pobre. Colocar a imensa riqueza de Angola ao serviço do bem-estar de todos angolanos”, enfatizou no encontro com a juventude angolana, o líder Samakuva.

A possibilidade de ver implantado no país o Programa “Angola Sem Fome” fez o povo angolano vibrar ainda mais em sintonia com a UNITA, e as cores vermelha e verde do partido do Galo Negro inundarem como uma onda o território angolano, que pela segunda vez, desde que conquistou a sua independência em 11 de Novembro de 1975, poderá manifestar-se livremente através das urnas. A nação africana de língua portuguesa irá escolher os seus representantes para as 220 cadeiras do parlamento nacional, actualmente ocupadas na sua maioria por membros do MPLA (Movimento Popular de Libertação Angola), no poder há 33 anos.

“ A mudança faz parte da natureza humana e da história de todas as nações. É mudando que os países se tornam mais desenvolvidos, que os povos melhoram sua condição de vida, conseguem mais saúde, mais educação, mais emprego, mais segurança. Ora, Angola também tem o direito de mudar. É para isso que temos eleições. Para que o governo não tenha só um dono, para que possamos ter a chance de novas soluções para os nossos problemas”, observa Adalberto Costa Júnior, Secretário da Comunicação e Marketing da UNITA.

Com aproximadamente 18 milhões de habitantes, Angola tem na base da sua economia o petróleo a jorrar o suficiente para produzir cerca de 2 milhões de barris por dia. Apesar do Produto Interno Bruto ter crescido mais 18% em 2007, as reservas fiscais médias anuais serem superiores a 20 bilhões de dólares e as acumuladas ultrapassarem os 15 bilhões de dólares, mais de 68 % da população vive à baixo da linha de pobreza, graças a não utilização correcta dos recursos do Tesouro Nacional.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O exemplo de alguns jovens angolanos

Quando vejo jovens angolanos da UNITA, nascidos e crescidos no meio da guerra, a lutar pela sua Pátria, a chamar as coisas pelos seus nomes e a enfrentar de peito aberto os maus ventos e as péssimas marés, fico com a certeza de que Angola tem futuro, mau grado estar sem presente.

Por outro lado, quando vejo os jovens angolanos do MPLA, crescidos no seio do poder, a temer chamar as coisas pelos seus nomes e a meter o rabinho entre as pernas quando sopra uma brisa ou quando os ondas estão mais altas, fico com a certeza de que o MPLA não tem futuro, mau grado ter (ainda) algum presente.

Quando vejo jovens angolanos da UNITA, nascidos e crescidos no meio da destruição, da fome e da miséria, acreditar que é possível lutar pelos milhões que, como eles, têm pouco ou nada, e não pelos poucos que têm milhões, fico com a certeza de que Angola tem futuro.

Por outro lado, quando vejo os jovens angolanos do MPLA, nascidos e crescidos no meio da opulência, a defender que vale tudo para conseguir um tacho, mesmo deixar a coluna vertebral em casa, fico com a certeza de que o MPLA está entregue à bicharada.

Quando vejo jovens angolanos da UNITA, nascidos e crescidos sabe Deus como, a lutar pela Liberdade, pelo direito à diferença e pela democracia, fico com a certeza de que Angola terá um futuro digno.

Por outro lado, quando vejo os jovens angolanos do MPLA, nascidos e crescidos no meio da informação e da escolaridade, a claudicar perante os donos da verdade, a aceitar serenamente as ordens de um qualquer capataz que é director de qualquer coisa, fico com a certeza de que o MPLA está cada vez mais próximo de ser um conjunto de autómatos.

Obrigado aos jovens que não temem enfrentar o futuro que, durante 33 anos, foi sempre uma dádiva reservada aos filhos do MPLA.

Artigo de Orlando Castro publicado em:
e reproduzido em http://angola24horas.com/

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Violencia politica vitima oito
militantes da UNITA no Huambo

Os actos de intolerância política de que a UNITA sempre se queixou, continuam a fazer vítimas aqui no Huambo, mesmo em plena campanha eleitoral.

A UNITA diz ter sido atacada, nesta quarta-feira, por um punhado de indivíduos uniformizados com camisolas e bonés com dísticos do MPLA, no município do Londuimbali, mais propriamente nas localidades da Galanga e do Kipeyo, quando o partido do «galo negro» tentava conquistar a simpatia do povo, no âmbito da campanha eleitoral que decorre em todo o pais.

O coordenador provincial da campanha eleitoral da UNITA para a província do Huambo, Alcides Sakala, diz ser inconcebível que a pouco menos de 20 dias para as eleições, num pais que se quer democrático, se verifiquem actos de violência que podem afectar o ambiente político que o pais está a viver.

«Foi ontem por volta das 13 horas, atacada com muita agressividade na comuna da Galanga por cerca de cem elementos, entre homens e mulheres vestidos com camisolas e chapéus do MPLA. Os agressores usavam pedras, paus e catanas e danificaram a viatura da nossa delegação e só foram dispersos com tiros disparados pela Polícia que acompanhava a nossa delegação. Nós pedimos um encontro com o comando da Polícia que vai ocorrer essa tarde, depois do encontro com os ex-militares que vamos ter aqui essa tarde, para manifestar o nosso descontentamento face a essa crescente onda de violência; porque no mesmo dia, na comuna do Kipeyo, numa altura em que a nossa delegação içava a bandeira do partido, no âmbito do processo de reimplantação que temos vindo a fazer em certas localidades, os nossos membros ali presentes foram agredidos por elementos também afectos ao partido no poder, dos quais tivemos oito feridos. Entre estes uma senhora grave que chegou aqui ontem à noite; tivemos que levá-la ao hospital central da cidade do Huambo.»

Em função disso, a UNITA esteve reunida na tarde desta quinta-feira com o comando superior da Policia no Huambo, onde os dirigentes do«galo negro» exigiram das autoridades policiais locais um esclarecimento imediato e isento, para que os agressores possam responder em tribunal por mais esse acto de violência.

Para Alcides Sakala, esses actos de intolerância política em si não podem estar alheios a uma eventual orientação superior das estruturas do partido no poder que incita quase sempre o povo à rebeldia, com os seus discursos que recorda sempre o passado, pese embora defender em público o espírito de reconciliação nacional.

Fonte: VOA/RA

Os POC apoiam a UNITA

Os Partidos da Oposição Civil (POC), cuja candidatura para as legislativas de 2008 foi indeferida pelo Tribunal Constitucional, decidiram apoiar a UNITA por acreditarem que o seu Programa para a Mudança é o que mais favorece e melhor interessa a Angola.
Um programa, nas palavras do líder do POC muito "
ambicioso, susceptível de contribuir para o melhoramento do nível de vida dos angolanos".
Na altura da formalização do acordo o Secretário-Geral da UNITA, Kamalata Numa, afirmou que "
Não é a UNITA que ganhou um aliado. É Angola que ganhou um aliado para grande exigência nacional de mudar as coisas. O povo Angolano está de parabéns, os seus actores políticos estão a amadurecer na defesa dos seus interesses e estamos aqui para testemunhar mais este momento histórico" tendo terminado com uma afirmação que todos temos de acolher "Trinta e três anos de governação basta! Precisamos que haja uma mudança que vai produzir o melhor para o futuro deste país".
Agrupam o POC integram sete formações políticas, nomeadamente o Partido Angolano Republicano (PAR), Partido Pacífico Angolano (PPA), Partido Nacional de Solidariedade de Angola (PNSA), Partido da Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), o Partido de Solidariedade de Consciência de Angola (PSCA).
E de apoio em apoio, a Mudança vai sendo construída para se cimentar em 5 de Setembro!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Será que os observadores e fiscais eleitorais
aprenderam a dura e amarga lição de 1992?

Em Angola, por exemplo, as mesas eleitorais são constituídas por agentes governamentais e não por delegados dos partidos concorrentes. Estes apenas têm direito a “fiscais” que observam o processo, não podem actuar e só podem recusar-se a assinar a acta, ou apresentar queixa de irregularidades á CNE. Em 1992, no processo eleitoral, nenhuma queixa apresentada à CNE por “fiscais” dos partidos foi investigada ou aceite.

Em Angola, por exemplo, em 1992 as urnas eram metálicas negras opacas e vinham na maior parte dos casos já seladas – o governo angolano prepara-se para usar material idêntico.

Em Angola, por exemplo, em 1992, nas mesas de votos, faltou durante a noite a energia, tendo os observadores sido afastados por “questões de segurança”. O governo angolano apesar da lei eleitoral actual, dizer que a votação deveria ocorrer apenas durante um dia, tentou avançar com uma alteração à lei passando a votação para dois dias, recuando apenas pela reacção interna da oposição.

No caso de Angola, por exemplo, o governo mantém o controlo sobre os principais meios de comunicação nacionais, sobretudo televisão e rádio, mantendo nestes células do partido governamental. As opiniões dos jornalistas são controladas, e recentemente foram suspensos os jornalistas que afirmaram haver censura.

No caso de Angola, por exemplo, a agência noticiosa governamental publica uma noticia sobre a oposição por cada duzentas sobre o governo e ou MPLA. Foram permitidos semanários ditos de oposição ou independentes, mas os seus jornalistas têm sido condenados em processos judiciais, mesmo sem serem notificados, correndo o risco de serem presos a qualquer momento.

No caso de Angola, por exemplo, leis impostas limitam os meios económicos dos partidos, proibindo-os de aceitarem outros financiamentos que não sejam os donativos dos seus militantes e do próprio governo. Como os detentores do dinheiro em Angola pertencem ao governo e ou ao MPLA, os partidos da oposição não podem ter donativos significantes dos seus militantes. Quanto aos financiamentos do governo aos partidos da oposição eles são dados quando o governo o deseja, pois este nunca cumpre as datas legais.

No caso de Angola, por exemplo, todos os meios do Estado estão ao serviço do MPLA desde viaturas a edifícios. Os próprios símbolos do Estado são os símbolos do MPLA, o que leva a que os eleitores possam confundi-los quando vão votar.

No caso de Angola, por exemplo, desde que se estabeleceu a Paz, milícias governamentais, muitas das vezes encabeçadas por polícias, têm espancado, assassinado militantes dos partidos da oposição.

No caso de Angola, por exemplo, em 1992 o governo e o MPLA criaram uma estrutura não juridicamente legal que com um nome foneticamente semelhante ao da Comissão Nacional Eleitoral (o nome era CNM - Comissão Nacional de Massas), começou a divulgar resultados não oficiais, estabelecendo um clima de tensão social, e de efectivação de dados fraudulentos. Como os dados da CNE e da CNM eram divulgados com a mesma expressão e pelos meios governamentais, tal permitiu um clima de completa anarquia, abrindo caminho para todos os acontecimentos subsequentes.

No caso de Angola, por exemplo, em 1992, das 5.600 mesas de votos, 800 eram mesas volantes. Nem uma delas teve existência fisica. Nenhuma delas se deslocou para zonas de muito afluxo de votantes. Nenhuma delas teve presença de “fiscais” da oposição ou observadores internacionais. Mas as actas de todas elas foram registadas no sistema inofrmático e os seus votos foram contabilizados. Cerca de 800.000 votos foram contabilizados nessas mesas volantes.

Texto de Orlando Castro publicado no Notícias Lusófonas (http://www.noticiaslusofonas.com/) e no Alto Hama (http://altohama.blogspot.com/).

Está na hora da mudança

Mais de 68% da população angolana vive em pobreza extrema. A taxa estimada de analfabetismo é de 58%, enquanto a média africana é de 38%. Entre 1997 a 2001, Angola consagrou à educação uma média de 4,7% do seu orçamento, enquanto a média consagrada pela SADC foi de 16,7%. Mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Igreja Católica fala de “apreensões”
- É muito, mas muito, mais do que isso

A Igreja Católica de Angola considera que ainda há "apreensões" em relação às legislativas que se avizinham, mas desafia os eleitores a votar sem temores e a dar uma resposta aos políticos de que não desejam a guerra. É claro que ninguém deseja a guerra, a não ser os que temem perder privilégios e que, no caso de Angola, são muitos.

"Apreensões há, não o podemos negar, porque a experiência de 1992 foi dura e marcou muito as pessoas", afirmou à Agência Lusa o padre José Imbamba, director de comunicação da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).

Mas será que são só as de 1992? Ou seja, recorde-se, o massacre de Luanda, perpetrado pelas forças militares e de defesa civil do MPLA, visando o aniquilamento da UNITA e cidadãos Ovimbundu e Bakongo, e que se saldou no assassinato de 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o massacre do Pica-Pau em que no dia 4 de Junho de 1975, perto de 300 crianças e jovens, na maioria órfãos, foram assassinados e os seus corpos mutilados pelo MPLA, no Comité de Paz da UNITA em Luanda?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o massacre da Ponte do rio Kwanza, em que no dia 12 de Julho de 1975, 700 militantes da UNITA foram barbaramente assassinados pelo MPLA, perto do Dondo (Província do Kwanza Norte), perante a passividade das forças militares portuguesas que garantiam a sua protecção?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de mais de 40.000 angolanos terem sido torturados e assassinados pelo MPLA em todo o país, depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de, entre 1978 e 1986, centenas de angolanos terem sido fuzilados publicamente pelo MPLA, nas praças e estádios das cidades de Angola, uma prática iniciada no dia 3 de Dezembro de 1978 na Praça da Revolução no Lobito, com o fuzilamento de 5 patriotas e que teve o seu auge a 25 de Agosto de 1980, com o fuzilamento de 15 angolanos no Campo da Revolução em Luanda?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de no dia 29 de Setembro de 1991, o MPLA ter assassinado em Malange, o secretário Provincial da UNITA naquela Província, Lourenço Pedro Makanga, a que se seguiram muitos outros na mesma cidade?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de nos dias 22 e 23 de Janeiro de 1993, o MPLA ter desencadeado em Luanda a perseguição aos cidadãos angolanos Bakongo, tendo assassinato perto de 300 civis?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de em Junho de 1994, a aviação do MPLA ter bombardeado e destruido a Escola de Waku Kungo (Província do Kwanza Sul), tendo morto mais de 150 crianças e professores?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de entre Janeiro de 1993 e Novembro de 1994, a aviação do MPLA ter bombardeado indiscriminadamente a cidade do Huambo, a Missão Evangélica do Kaluquembe e a Missão Católica do Kuvango, tendo morto mais de 3.000 civis?

Mas será que são só as de 1992? Ou também o facto de entre Abril de 1997 e Outubro de 1998, na extensão da Administração ao abrigo do protocolo de Lusaka, o MPLA ter assassinado mais de 1.200 responsáveis e dirigentes dos órgãos de Base da UNITA em todo o país?


Texto do jornalista Orlando Castro publicado em http://altohama.blogspot.com/