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terça-feira, 29 de julho de 2008

A Comunicação social angolana não pode ser amordaçada

Depois do que fizeram com a Rádio Despertar, como aqui já relatado, ou seja, mandaram suspender a voz livre da Despertar porque, segundo os senhores do MPLA, chegava a zonas angolanas que não lhes interessava que soubessem certas verdades escamoteadas ao Povo livre de Angola, tem-se verificado que há portais noticiosos, alguns dos quais até nem concordamos com a sua linha editorial que estiveram silenciadas ou continuam “paradas”.
Durante dias o portal Angonotícias esteve inactivo; depois de muita especulação os editores do Angonotícias vieram dizer num comunicado que tinha sido problemas do servidor. Há cerca de dois anos, mais concretamente em Novembro de 2005, também por razões técnicas este portal esteve um tempo inactivo.
E tal como o Angonotícias também o Correio Digital esteve acalado durante um curto período.
Mas se o Angonotícias esteve cerca de uma semana o que dizer do VOA-Multipress que reapareceu na Internet, desta feita com um novo visual e sem qualquer indicação do porquê da sua inactividade, por acaso desde a altura do Angonotícias e do Correio Digital – até parece que o servidor era o mesmo – o que, no mínimo é estranho.
E para que o leque seja completo, verifica-se que também o Semanário Angolense se mantém inalterável desde a edição 273, de 12 a 19 de Julho.
Coincidências ou alguém quer amordaçar a liberdade de opinião em Angola em vésperas das eleições.
É por estas e pelo Povo que Angola Vai Mudar!

domingo, 6 de julho de 2008

Há pequenos nadas que definem uma Democracia

por: Eugénio Almeida©

A lei eleitoral é clara, embora, como qualquer lei, susceptível de ser melhorada ou complementada.
O escrutínio para as legislativas nacionais é efectuado num determinado e único dia proposto pelo Governo depois de ouvida a Comissão Nacional de Eleições e ratificada pelo senhor Presidente da República após audição do Conselho da República.
Por isso não se compreende que depois de tanto se ter falado nas eleições para um dos dias aventados pelo senhor Presidente da República, para o mês de Setembro, depois de alguns meses de especulação quanto à sua efectivação ou não e, finalmente, depois do senhor Presidente ter, enfim, indicado a data para o acto eleitoral que venha agora o MPLA propor que em vez de um dia, o 5 de Setembro, a votação seja efectuada em dois dias seguidos.
Isto é o mesmo que o Girabola ter começado com a indicação que a vitória vale 3 pontos, o empate, um ponto, e a derrota, zero pontos – como é normal –, e por interesses de alguém, a FAF decidisse que a vitória e a derrota valeriam os mesmos pontos mas o empate passaria a valer 2 pontos.
Haveria algum clube que aceitaria essa proposta com o campeonato a decorrer? É claro que não! A nova pontuação só poderia ser aceite a partir do novo campeonato e após a aceitação por uma maioria qualificada dos clubes representados na Federação (ou qualquer coisa parecida).
Por isso é incompreensível que o MPLA, apesar do seu líder parlamentar dizer o contrário, já que segundo este tudo não passava de uma vontade de membros do Conselho da República que nunca ninguém os ouviu confirmar, queira agora fazer valer a sua posição de partido dominante e impor uma nova regra para o acto eleitoral quando aquela já foi marcada, os partidos estão a registar-se legalmente e a campanha já está em marcha.
Isto é uma situação que deveria ter sido ponderada desde o momento que o senhor Presidente anunciou a intenção de marcar eleições até à marcação das mesmas.
É por isso que compreendo e sublinho a posição do senhor presidente da UNITA, Isaías Samakuva quando, na passada quinta-feira, em entrevista à Rádio Ecclésia, afirmou que terá dados orientações ao partido para que os seus deputados “não participarem na sessão da Assembleia Nacional que pretende emendar pela segunda vez a lei eleitoral, para dilatar a duração do pleito”.
Há actos na Democracia que são incontornáveis. E alterar as regras do jogo democrático quando este já está em execução ou em pleno acto eleitoral é sinónimo de autocracia, para não dizer, autoritarismo.
E também há o Tribunal Constitucional que, por certo, irá fazer ver ao MPLA que a Democracia é muito mais que a soma de vontades individuais ou partidárias!
Há que relembrar que os Angolanos não queremos em Angola nem um novo Quénia, nem, muito menos, um Zimbabué!

©in: do blogue "Pululu" http://pululu.blogspot.com/2008/07/h-pequenos-nadas-que-definem-uma.html

Galo Negro prepara-se para derrubar o MPLA

Por Jorge Eurico ©

Manifesto eleitoral da UNITA ataca (e de que maneira) as políticas ineficazes do partido no poder e a cultura administrativa que, há mais de 30 anos, dificulta a vida dos angolanos

A campanha eleitoral, oficialmente, ainda não começou. Mas o Galo Negro já bate as asas e levanta a crista para derrubar o seu adversário, o todo-poderoso MPLA. Para tal empresa, o maior partido da oposição serve-se (e bem) dos números e dos factos à sua disposição. Os números não mentem e os factos deitam por terra todos (e mais alguns) argumentos. Por essa razão, o manifesto eleitoral do segundo maior partido ataca (e de que maneira) as políticas ineficazes do partido no poder e a cultura administrativa que, há mais de 30 anos, dificulta a vida dos angolanos e atrofia o desenvolvimento do País.

O "Programa Eleitoral, 2008-2012" do Galo Negro, que chegou à nossa redacção pela mão de um aprazível estafeta ido directamente do Gabinete do presidente do segundo maior partido angolano, afirma, na sua introdução, que Angola está ansiosa por sair dos escombros de um período de instabilidade política e de um modelo ineficaz de governação que subverteu o papel do Estado e aprofundou as desigualdades sociais.

O plano eleitoral da UNITA, que têm 136 páginas e nove capítulos, revela que mais de 90% da riqueza nacional está concentrada em menos 0,1% da população. Angola, prossegue o manifesto eleitoral do partido fundado por Jonas Savimbi, possui uma taxa estimada de analfabetismo de 58%, enquanto a média africana é de 38%.

"Cerca de um terço das crianças entre os cinco e os onze anos de idade não tem instrução. Todos os anos, milhares de crianças ficam fora dos sistema escolar. No ensino secundário, apenas 18% dos rapazes e 13% das raparigas inscrevem-se, o que situa o nível educacional do País entre os mais baixos do mundo".

Entre 1991 e 1997, o Governo - destaca o manifesto eleitoral dos maninhos que parece apostar em factos e números para arrasar o todo MPLA - consagrou à educação uma média de 4, 7% do seu orçamento fiscal, enquanto a média consagrada pela SADC foi de 16, 7%.

O documento da UNITA revela ainda que o orçamento para o ano corrente de 2008 dedicou ao investimento público na educação o equivalente a 1, 3% da despesa pública total, distribuído de forma iníqua: para o Litoral, o Executivo disponibilizou $ 15 per capita, enquanto para o interior , para a cifra foi de $ 5 per capita.

O "Programa Eleitoral, 2008-2012" do partido fundado por Jonas Savimbi diz que os investimentos na economia primária, nomeadamente na agricultura, na indústria transformadora e no desenvolvimento rural, não chegam a 2% da despesa total, ao passo que 48% da despesa estão concentradas nas províncias do Litoral.

As primeiras páginas do "Programa Eleitoral, 2008-2012" da UNITA sublinham que a malária continua a ser a causa de morte número um, representando 35% da procura de cuidados curativos e 20% dos internamentos hospitalares. Depois da malária (também conhecida por doença de porcos), está a tuberculose, com cerca de 398 doentes para cada 100.000 habitantes, enquanto que a tripanossomiase afecta cerca de 120.000 pessoas e 4.000.000 estão em risco de contraí-la.

O manifesto eleitoral revela ainda que o Governo disponibiliza apenas 3 a 6% do seu orçamento para a saúde dos seus cidadãos e que a rede sanitária pública é constituída por 27 hospitais nacionais e provinciais, dos quais 10 em Luanda, 291 centros de saúde e hospitais municipais (40 não funcionam), 934 postos de saúde (209 não funcionam). "Esta rede de oferta apenas pode atender menos de 15% da população, o que torna o Serviço Nacional de Saúde inoperante e presa fácil de interesses particulares", destaca o documento.

In: ©Notícias Lusófonas (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21276&catogory=Manchete

sábado, 5 de julho de 2008

Linha quase editorial

Este é um blog, feito por um grupo de angolanos que aspiram ao sonho. Um sonho de liberdade, de democracia, de dignidade para o Povo Angolano e para o seu país, Angola.

Este é um blog que assume não ser um jornal, embora possa por vezes passar por tal.

Este é um blog que é da responsabilidade dos seus autores, não segue directivas partidárias, mas os seus autores são militantes e não se envorgonham de o ser.

Este é um blog político. Sem concessões, sem cedências e com muito orgulho.

Este é um blog que assume que a política também pode e deve ser feita por cidadãos empenhados.

Este é um blog que acredita que os políticos e em particular os políticos africanos, não são todos corruptos, clientelistas e neopatrimonialistas.

Este é um blog feito para um momento em especial, as eleições de Angola e a campanha eleitoral que decorrerá nos próximos meses.

Este é um blog que aceitará a colaboração de todos os que queiram escrever nele, à excepção dos que defendam o actual governo de Angola e o partido que o sustenta, por considerar que se permitir a sujidade, inevitávelmente se sujará.

Este é um blog feito para mostrar a mudança.