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sábado, 12 de julho de 2008

Nova capital para Angola? um assunto que volta...

por Eugénio Almeida©

Via e-mail recebi a mensagem que a seguir se reproduz.

Já a tinha recebido há uns dias. Mas perguntas que tenho recebido via e-mail complementadas por um comentário colocado num dos últimos apontamentos levaram-me a vir aqui.

Depois da capital proposta pelo arquitecto angolano Troufa Real, em 2003/2004, a Nova Luanda ou Angólia, ao sul da actual capital, volta ao “barulho” a capital solicitada(?!) a Óscar Niemeyer.

A esperança é que não seja mais que um fait diver em tempo de pré-campanha eleitoral até porque de acordo com uma entrevista do ministro do Urbanismo e Ambiente, Diekumpuna Sita Nsadisi José ( Sita José), em Janeiro de 2008, esta situação ainda não estará nos planos do Governo (ou será por isso que o ministro Rabelais não quer conversas na imprensa sobre as obras governamentais?!).

Por outro lado, também não concordo com algumas comparações aqui deixadas, mas respeito o conteúdo do e-mail...


"Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos.

O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas.

Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.

O arquitecto Óscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito.

Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana.

E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.Com a nova capital pretende-se um 'começar de novo'.

Para quem?A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos.

Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano.

E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.

O que há de comum em todos eles?

A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.

A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos.

Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar.

Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo.Agora só falta a cidade e o trono, para o show off.A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas.

Haja decoro."

©Publicado no blogue “Pululu”, em 11 de Julho de 2008

Jornalistas proibidos de criticar os donos do poder em Angola

por: Eugénio Almeida©

Segundo a VOA-Multipress e o Club-k que citam um jornalista da Rádio Ecclésia-Emissora Católica de Angola, o Ministro para a Comunicação Social, Manuel Rabelais, terá chamado os jornalistas dos órgãos oficiais, do semanário angolano Angolense e daquela emissora católica e indicado que a partir de agora não admitiria críticas ao Governo de Angola, nomeadamente às obras em curso.

À partida, haveria 2 ou 3 partidos satisfeitos com esta medida autocrática, o MPLA, a UNITA e alguns independentes, nomeadamente os que estão próximos de Cabinda.

Mas quem calou – ou de quem nada se ouviu – face à ordem de suspensão uma rádio comercial, a Rádio Despertar, próxima da UNITA, por, na concepção dos dirigentes do MPLA e do senhor Ministro estar a fazer propaganda próxima da UNITA e crítica do Governo e do MPLA é crível que as palavras do senhor Ministro não se referiam ao Governo em geral mas ao MPLA em particular.
Por alguma coisa O MPLA, no dia da última sessão ordinária da actual Legislatura,
rejeitou certo tipo de alterações ao Direito de Antena nos órgãos oficiais.

Ou seja, a ser verdadeiras as notícias circulantes, está tudo proibido de dizer mal do MPLA.

E o certo é que enquanto o jornalista da Rádio Ecclésia (estranha-se o silêncio desta emissora e d’ O Apostolado) já disse que não vai cumprir esta instrução, em Benguela, a Rádio Benguela do grupo RNA já terá anunciado a retirada do programa “Roteiro da Manhã”, um espaço em que os cidadãos opinavam sobre as diversas matérias locais, e a Rádio Morena Comercial estará a reestruturar alguns dos seus programas com conteúdos críticos.

Espera-se que isto não seja um mau pronuncio para a campanha eleitoral que se avizinha e uma amostra do que não se quer em Angola; porque se assim for, mal está o sistema político angolano.

Espero que ao senhor Ministro, porque me merece respeito como todos os demais que assumem os erros, mesmo que inocentes, assuma a única solução possível depois desta incrível exigência: se demita.

Caso contrário, nada mais restará ao senhor Presidente Eduardo dos Santos, para manter a equidade exigível a uma sã campanha eleitoral, outra medida que não seja o demitir e alertar ao Conselho Nacional de Comunicação Social que explique aos jornalistas que a ordem foi arbitrária, inaudita e inconveniente, um autêntico ataque à liberdade de imprensa, pelo que devem considerá-la nula!

Vamos aguardar pelas cenas do próximo capítulo nesta pré-campanha eleitoral!

©Artigo de Opinião publicado, em 10 de Julho de 2008, na Manchete do Notícias Lusófonas e no blogue “Pululu” sob o título “Senhor Ministro se for verdade só há uma solução: demitir-se”