sábado, 9 de agosto de 2008

Os angolanos merecem a mudança

Mais de 68% da população angolana vive em pobreza extrema. A taxa estimada de analfabetismo é de 58%, enquanto a média africana é de 38%.

Entre 1997 a 2001, Angola consagrou à educação uma média de 4,7% do seu orçamento, enquanto a média consagrada pela SADC foi de 16,7%.

É verdade que a economia está a crescer, mas está a crescer mal, quer na estrutura da produção interna, quer na distribuição da riqueza nacional: 76% da população vive em 27% do território.

Mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros. Mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos.A injustiça social e a exclusão afectam quase todos os angolanos.

O MPLA fundamenta a sua estratégia para enclausurar a liberdade de escolha dos angolanos em cinco pontos:

- Dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o ‘cabritismo,” – este método é utilizado para amordaçar os dirigentes, quadros, deputados, governantes e militantes do Partido da situação e não só.

- A coação e ameaças são utilizadas para silenciar os jornalistas, sobretudo em Angola mas também noutros países.

- A violência física e a intolerância política são as formas preferidas para intimidar os militantes e simpatizantes da UNITA e não só.

- A coação e a instrumentalização são utilizadas contra as autoridades tradicionais e algumas entidades religiosas.

- A corrupção política e económica é, hoje como ontem, utilizada contra todos.

Os angolanos querem e merecem a mudança.

UNITA sensibiliza as massas para
o voto da mudança no Huambo

No Huambo o primeiro dia da campanha foi caracterizada por um acto de massas presidido por Alcides Sakala, candidato a deputado com o número 22 nas listas da UNITA. No seu discurso o dirigente atribuiu à UNITA o mérito de ter protagonizado profundas mudanças políticas no país. Recordou que a paz foi conquistada à custa de muito sacrifício dos melhores filhos de Angola.

Reiterou a prontidão da UNITA de fazer melhor por Angola e pelos angolanos, no âmbito da sua visão sobre o país e a sociedade que se desejada reconciliada, justa e igual para todos.

”Queremos contribuir para a construção da nossa sociedade para que os angolanos vivam livre do medo, da corrupção e da pobreza”, salientou o alto dirigente da UNITA.

No outro desenvolvimento, o coordenador da campanha eleitoral no Huambo, disse na ocasião que a província e a cidade do Huambo, testemunharam a dura realidade da guerra que deixou marcas profundas na consciência colectiva de seus habitantes, porém, tendo reiterado que a página está encerrada para sempre e pertence ao passado sobre o qual é necessário “tirar lições para construirmos juntos um futuro melhor para as novas gerações”.

O mandatário da campanha do Galo Negro nas terras do Huambo fez saber que o seu partido assumiu perante a história e em consciência o compromisso com a paz e a democracia foi sempre a opção da UNITA enquanto o regime politico inclusivo, plural, tolerante e multipartidário.

“Somos pela mudança que dignifique material e espiritualmente os antigos combatentes e todos os militares; somos pela mudança que dignifique a nossa mulher como mãe e como incontornável parceira para o progresso, somos pela mudança que respeite a nossa cultura, crença e religião, porque acreditamos na Juventude como força motora do desenvolvimento e na criança como certeza do nosso amanhã; vamos combater a pobreza e não os ricos, porque somos pela mudança que concebe o desenvolvimento económico em todas vertentes”, referiu a dado passo da sua intervenção.

Os seis anos de paz ainda não proporcionaram o bem-estar aos angolanos que na sua grande maioria enfrentam dificuldades no que respeita ao saneamento básico, água potável, electricidade, serviços básicos de saúde e educação, enquanto um grupo de angolanos usa e abusa dos dinheiros do Estado para o seu enriquecimento próprio, em detrimento de milhões de angolanos que nas aldeias, nas comunas, bairros, municípios e nas áreas periféricas das grandes cidades do pais continuam a viver com menos de um dólar por dia.

“Angola continua ser classificada pelas Organizações Internacionais credíveis, como um dos países mais corruptos e caros do mundo, mal governado e com baixo índice de desenvolvimento humano segundo o ultimo relatório das Nações Unidas sobre desenvolvimento humano e ainda sobre a qualidade do ensino que nos últimos anos piorou na região da SADEC”, disse o dirigente partidário.

Continuando, criticou a onda de violência politica que o partido no poder leva a cabo em todo o território nacional e qualificou o facto como uma prática que mina a coabitação entre filhos da mesma pátria e consequentemente a reconciliação nacional.

“Nós entendemos que hoje depois de 6 anos do fim da guerra nenhum angolano deve ser mais batido, ameaçado, humilhado e diabolizado como tem acontecido, em alguns municípios ,aldeias e comunas da província do Huambo e noutras regiões do pais só porque alguém pensa diferentemente do outro”, esclareceu.

“Nós queremos realizar em Angola uma mudança positiva, uma mudança pacífica que ocorra num clima de tranquilidade e serenidade que valorize o nosso interesse, o interesse colectivo dos angolanos, e que sirva o angolano lá onde estiver”, acrescentou.

Alcides Sakala referiu-se ao programa eleitoral da UNITA, sublinhando que o mesmo constitui o instrumento da mudança que a UNITA preconiza em Angola.

“O nosso programa é promover a activação digna do Estado que nós queremos mais dialogante e social, dotado de capacidades regionais e autoridade moral que garante a segurança dos cidadãos e dos seus bens”, afirmou.Finalmente o dirigente da UNITA apelou os angolanos a votarem na UNITA para que Angola possa, efectivamente mudar.

Vários atractivos coloriram o acto com destaque para a realização de uma grandiosa passeata que percorreu de lés a lés todas as artérias da capital do planalto central, tendo tornado tudo e todos de cores vermelha e verde a par de lindas melodias da banda musical que se fizeram.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Assim, sim! O Galo vai voar

por Orlando Castro*

O presidente UNITA, Isaías Samkuva, disse hoje em Luanda, num discurso que marcou o arranque oficial da campanha eleitoral em Angola, que "a corrupção está institucionalizada no país". É assim, mesmo, Presidente. Os angolanos merecem conhecer a verdade, doa a quem doer.

Isaías Samakuva defendeu que, "para inverter o quadro" de "corrupção institucionalizada" no país é necessária "uma mudança de regime", sublinhando que o seu partido é o que está melhor posicionado para essa tarefa.

Finalmente o Galo começa a voar. Finalmente os angolanos começam a saber que têm uma alternativa credível e capaz de, entre outras coisas, tornar os ricos menos ricos e os pobres menos pobres.

Numa cerimónia marcada pela presença de cerca de 400 pessoas, entre militantes e simpatizantes do partido, Samakuva considerou que, "os grandes problemas nacionais são a exclusão social, a pobreza, o desemprego, o sistema de educação e a corrupção".

Ou seja? Tudo. Tudo o que o MPLA não conseguiu fazer, mesmo estando no poder desde 1975.

O líder da UNITA lembrou que mais de 68 por cento da população angolana vive na "pobreza extrema" e que a taxa de analfabetismo está estimada em 58 por cento em contraste com a média africana que é de 38 por cento.

São números que envergonham Angola mas que não se devem esconder. São números que mostram como para o MPLA há filhos e enteados, como para o MPLA há angolanos de primeira e de segunda.

Samakuva assinalou que entre 1997 e 2001, Angola consagrou à educação uma média de 4,7 por cento do seu orçamento, quando a média dos países que integram a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) foi de 16,7 por cento. É assim mesmo. Não há que temer dizer as verdades."Para além de limitados, esses recursos enfermam também de iniquidade na sua distribuição, sendo que para o litoral Angola disponibilizou 15 dólares per capita, enquanto no interior, cifrou-se em cinco dólares, o que é uma política discriminatória que resulta da cultura de exclusão", frisou.

Exclusão, acrescente-se, direccionada para todos aqueles que ousaram pensar de forma diferente da verdade oficial, da verdade do MPLA.

Quanto ao sistema de saúde, referiu que Angola disponibiliza apenas três a quatro por cento do seu orçamento para o sector e que a malária continua a ser a principal causa de morte dos angolanos, seguindo-se a tuberculose, desnutrição, tripanossomíase (doença do sono) e hipertensão. Ou seja, os angolanos estiveram entregues à bicharada de quem tem os dólares e, neste caso, não de quem tinha a de os distribuir.

"Angola, ao invés de um Estado de direito, tornou-se num Estado patrimonialista, mal governado, com um baixo índice de desenvolvimento humano, onde os jornalistas ainda são presos", disse Samakuva numa intervenção que arrasa de uma ponta à outra as aldrabices do poder que comanda Angola desde 1975.

Ainda no domínio da economia, apontou que esta continua a crescer, mas "mal" quer na estrutura da produção interna, quer na distribuição da riqueza nacional. A título de exemplo, o sucessor de Jonas Savimbi na liderança da UNITA sublinhou que mais de 80 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) é produzido por estrangeiros e mais de 90 por cento da riqueza nacional privada "foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5 por cento de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos".

Ou seja, poucos têm milhões e milhões têm pouco ou nada.

"A política económica em curso não garante a integração digna da juventude na sociedade, nem lhe assegura o primeiro emprego e não promove o desenvolvimento descentralizado do território", considerou Samakuva numa radiografia que mostra como rei vai nu.

O presidente da UNITA denunciou ainda que o acesso à "boa" educação, aos condomínios privados, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, grandes negócios e licitações de blocos petrolíferos está limitado a um grupo "muito restrito" de famílias ligadas ao regime no poder.

O Galo Negro está mesmo com toda a garra para vencer esta batalha. Assim o seu grito chegue aos angolanos.

"O povo está melhor colocado para operar a mudança, porque é ele que sofre todos os dias, não tem casa, emprego e comida", disse Samakuva numa demolidora intervenção que abre novos horizontes a um povo que, com o MPLA, é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com fome.

* in Alto Hama

Angola vai mudar? Está nas nossas mãos

Angola vai a votos
no dia 5 de Setembro.
Esperemos que a democracia
vença e que,
desta vez,
o Povo fique a ganhar.
Não será fácil,
mas é possível.
Está nas mãos
dos angolanos
mostrar que são
diferentes,
para melhor.
Para muito melhor.




(de Orlando Castro, in Artoliterama)

Observatório critica imprensa estatal

“O Observatório Político e Social de Angola (OPSA) acusou os órgãos de comunicação social estatais angolanos de se posicionarem "de forma clara" ao lado do partido no poder, o MPLA, num relatório sobre as eleições legislativas de Setembro.

No documento, com o título "Posição sobre as eleições legislativas de 2008 em Angola", o OPSA exemplifica que num levantamento recente, "detectou que entre Abril a Junho de 2008, nos 91 números do Jornal de Angola, o MPLA surge 22 vezes nos títulos da capa e contracapa".

No mesmo período, o Jornal de Angola, estatal e único diário do país, apenas coloca na capa três notícias sobre a UNITA, maior partido da oposição, e a FNLA, o outro dos três partidos históricos de Angola, "apenas" surge uma vez, segundo o OPSA.

Apesar de nomear apenas dois órgãos estatais, o Jornal de Angola e a Televisão Pública de Angola, as críticas do OPSA são direccionadas também para a agência de notícias Angop e a Rádio Nacional de Angola.

Além dos órgãos estatais, existem ainda em Angola 10 jornais semanários privados e cerca de uma dezena de rádios locais, quatro das quais em Luanda.” (in: Angola24Horas.com)

Nada que os verdadeiros angolanos já não tivessem detectado e criticado.
São razões como estas que nos levam a EXIGIR que Angola tem de Mudar e só pode fazê-lo com a UNITA!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Começamos em 11º e Vamos Mudar Angola com o 1º nos votos

Partido de Renovação Social (PRS) será o primeiro partido angolano dos 14 concorrentes às eleições legislativas de 05 de Setembro próximo em Angola a figurar nos boletins de voto, ditou hoje o sorteio realizado na Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

O sorteio público, realizado na capital angolana e transmitido em directo pelos órgãos de comunicação social angolanos, na presença de representantes da CNE e representantes dos diferentes partidos políticos, ditou também que o MPLA e a UNITA ficassem um a seguir ao outro, nas 10ª e 11ª posições.

Segundo o sorteio, a seguir ao PRS surgirão o Partido Liberal Democrático (PLD), Frente para a Democracia (FpD) e Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional Angolana (PDP/ANA).

Depois figurarão a coligação Plataforma Política Eleitoral (PPE), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Partido de Aliança da Juventude Operário-Camponesa/Partido Popular (PAJOCA/PP) e Coligação Fórum Fraternal Angolano (FOFAC).

Para o fim, os boletins de voto contarão com os nomes da Coligação Nova Democracia (ND), Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Partido de Apoio Democrático para o Progresso de Angola (PADEPA), Partido Renovador Democrático (PRD) e Coligação Aliança Democrática (AD).

Sorteados foram também os tempos de antena para os partidos políticos na Televisão Pública de Angola (TPA) e na Rádio Nacional de Angola (RNA), que estarão no ar durante o período da campanha eleitoral, que começa a 05 de Agosto e termina a 03 de Setembro, dois dias antes da votação.

Nesse sentido, para a televisão, o primeiro partido a ocupar o tempo de antena de cinco minutos diários cada, que começa às 19:15 locais (mesma hora em Lisboa) será o PADEPA, seguido pela UNITA, FOFAC, FNLA, AD-Coligação, PDP/ANA, PRS, PRD, MPLA, PLD, Nova Democracia, FpD, PPE e PAJOCA.

Para a rádio (RNA), cada uma das candidaturas terá 10 minutos de tempo de antena, tendo ficado definida da seguinte forma: FpD, PRD, Nova Democracia, Coligação AD, PDP/ANA, PAJOCA, PLD, PPE, FNLA, FOFAC, PRS, UNITA, MPLA e PADEPA.

As rádios privadas também estão incluídas no exercício do direito de antena para os partidos políticos.

Ao intervir no final do sorteio, o presidente da CNE, Caetano de Sousa, disse que, com este acto, estão reunidas as condições para a impressão dos boletins de voto, tendo pedido aos mandatários dos partidos políticos para fazerem chegar a tempo as especificações requeridas a respectiva impressão.

fonte: Notícias Lusófonas (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=21355&catogory=Angola)

A Comunicação social angolana não pode ser amordaçada

Depois do que fizeram com a Rádio Despertar, como aqui já relatado, ou seja, mandaram suspender a voz livre da Despertar porque, segundo os senhores do MPLA, chegava a zonas angolanas que não lhes interessava que soubessem certas verdades escamoteadas ao Povo livre de Angola, tem-se verificado que há portais noticiosos, alguns dos quais até nem concordamos com a sua linha editorial que estiveram silenciadas ou continuam “paradas”.
Durante dias o portal Angonotícias esteve inactivo; depois de muita especulação os editores do Angonotícias vieram dizer num comunicado que tinha sido problemas do servidor. Há cerca de dois anos, mais concretamente em Novembro de 2005, também por razões técnicas este portal esteve um tempo inactivo.
E tal como o Angonotícias também o Correio Digital esteve acalado durante um curto período.
Mas se o Angonotícias esteve cerca de uma semana o que dizer do VOA-Multipress que reapareceu na Internet, desta feita com um novo visual e sem qualquer indicação do porquê da sua inactividade, por acaso desde a altura do Angonotícias e do Correio Digital – até parece que o servidor era o mesmo – o que, no mínimo é estranho.
E para que o leque seja completo, verifica-se que também o Semanário Angolense se mantém inalterável desde a edição 273, de 12 a 19 de Julho.
Coincidências ou alguém quer amordaçar a liberdade de opinião em Angola em vésperas das eleições.
É por estas e pelo Povo que Angola Vai Mudar!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Para o senhor José Sócrates
os angolanos não importam

Para o senhor Sócrates, o facto de em Angola 250 crianças em cada 1000 morrerem antes dos cinco anos de idade, não é importante.

Para o senhor Sócrates, o facto de em Angola a esperança média de vida ser de 42 anos, não é importante.

Para o senhor Sócrates, o facto de em Angola metade da população não ter acesso a água potável, não é importante.

Para o senhor Sócrates, o facto de em Angola sete das dez maiores fortunas pertencerem a membros do governo não é importante.

Para o senhor Sócrates, os milhões de pessoas de Luanda que tentam sobreviver com menos de um dólar por dia, não é importante.

Para o senhor Sócrates só são importantes aqueles que de uma maneira nada transparente, desviaram dinheiro dos lucros do petróleo para o investir na Galp ou no BCP.

Para o senhor Sócrates, só são visíveis os gordos e anafados membros da élite angolana, porque foram esses que se banquetearam no dia de Portugal na FILDA, porque os pobres escanzelados à porta não puderam entrar.

Só assim se comprendem os rasgados elogios que Sócrates fez ao regime angolano. Mas não surpreende ninguém. Já em 1992 o então primeiro ministro português, apesar de ser um dos árbitros da paz, com a obrigação de ser neutro, participou na campnha do Mpla, porque haveria de ser diferente agora a menos de dois meses das eleições?

sábado, 12 de julho de 2008

UNITA considera o voto uma oportunidade de mudança

(in: Angonotícias, 11 Jul 2008)

O secretário nacional de comunicação e marketing da UNITA, Adalberto Júnior (na foto), lançou esta semana um apelo aos angolanos para que votem sem medo, independentemente da opção política, considerando este acto como “um direito e oportunidade para a mudança”.

Num discurso que marcou o encerramento do seminário sobre a cobertura eleitoral, dirigido aos jornalistas do seu partido, Adalberto Júnior referiu ser importante a formação cívica do cidadão, para que este respeite as diferenças de opiniões e escolhas.

O dirigente pediu aos cidadãos angolanos que evitem a intolerância política, alertando que tal atitude atinge o país inteiro e em nada contribui para o bem-estar da Nação. “Devemos respeitar-nos uns aos outros, em prol de um país democrático”, acrescentou.

Com a participação das províncias do Huambo, Huíla, Moxico, Benguela e Bié, a acção formativa teórico-prático durou três dias e visou capacitar os quadros do partido em matérias ligadas à cobertura eleitoral.

A acção formativa, organizada pelo secretariado nacional de comunicação e marketing da UNITA, contou com a parceria da fundação alemã Konrad Adenauer Stiftung.

Fonte: Jornal de Angola

Nova capital para Angola? um assunto que volta...

por Eugénio Almeida©

Via e-mail recebi a mensagem que a seguir se reproduz.

Já a tinha recebido há uns dias. Mas perguntas que tenho recebido via e-mail complementadas por um comentário colocado num dos últimos apontamentos levaram-me a vir aqui.

Depois da capital proposta pelo arquitecto angolano Troufa Real, em 2003/2004, a Nova Luanda ou Angólia, ao sul da actual capital, volta ao “barulho” a capital solicitada(?!) a Óscar Niemeyer.

A esperança é que não seja mais que um fait diver em tempo de pré-campanha eleitoral até porque de acordo com uma entrevista do ministro do Urbanismo e Ambiente, Diekumpuna Sita Nsadisi José ( Sita José), em Janeiro de 2008, esta situação ainda não estará nos planos do Governo (ou será por isso que o ministro Rabelais não quer conversas na imprensa sobre as obras governamentais?!).

Por outro lado, também não concordo com algumas comparações aqui deixadas, mas respeito o conteúdo do e-mail...


"Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos.

O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas.

Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.

O arquitecto Óscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito.

Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana.

E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.Com a nova capital pretende-se um 'começar de novo'.

Para quem?A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos.

Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano.

E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.

O que há de comum em todos eles?

A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.

A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos.

Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar.

Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo.Agora só falta a cidade e o trono, para o show off.A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas.

Haja decoro."

©Publicado no blogue “Pululu”, em 11 de Julho de 2008

Jornalistas proibidos de criticar os donos do poder em Angola

por: Eugénio Almeida©

Segundo a VOA-Multipress e o Club-k que citam um jornalista da Rádio Ecclésia-Emissora Católica de Angola, o Ministro para a Comunicação Social, Manuel Rabelais, terá chamado os jornalistas dos órgãos oficiais, do semanário angolano Angolense e daquela emissora católica e indicado que a partir de agora não admitiria críticas ao Governo de Angola, nomeadamente às obras em curso.

À partida, haveria 2 ou 3 partidos satisfeitos com esta medida autocrática, o MPLA, a UNITA e alguns independentes, nomeadamente os que estão próximos de Cabinda.

Mas quem calou – ou de quem nada se ouviu – face à ordem de suspensão uma rádio comercial, a Rádio Despertar, próxima da UNITA, por, na concepção dos dirigentes do MPLA e do senhor Ministro estar a fazer propaganda próxima da UNITA e crítica do Governo e do MPLA é crível que as palavras do senhor Ministro não se referiam ao Governo em geral mas ao MPLA em particular.
Por alguma coisa O MPLA, no dia da última sessão ordinária da actual Legislatura,
rejeitou certo tipo de alterações ao Direito de Antena nos órgãos oficiais.

Ou seja, a ser verdadeiras as notícias circulantes, está tudo proibido de dizer mal do MPLA.

E o certo é que enquanto o jornalista da Rádio Ecclésia (estranha-se o silêncio desta emissora e d’ O Apostolado) já disse que não vai cumprir esta instrução, em Benguela, a Rádio Benguela do grupo RNA já terá anunciado a retirada do programa “Roteiro da Manhã”, um espaço em que os cidadãos opinavam sobre as diversas matérias locais, e a Rádio Morena Comercial estará a reestruturar alguns dos seus programas com conteúdos críticos.

Espera-se que isto não seja um mau pronuncio para a campanha eleitoral que se avizinha e uma amostra do que não se quer em Angola; porque se assim for, mal está o sistema político angolano.

Espero que ao senhor Ministro, porque me merece respeito como todos os demais que assumem os erros, mesmo que inocentes, assuma a única solução possível depois desta incrível exigência: se demita.

Caso contrário, nada mais restará ao senhor Presidente Eduardo dos Santos, para manter a equidade exigível a uma sã campanha eleitoral, outra medida que não seja o demitir e alertar ao Conselho Nacional de Comunicação Social que explique aos jornalistas que a ordem foi arbitrária, inaudita e inconveniente, um autêntico ataque à liberdade de imprensa, pelo que devem considerá-la nula!

Vamos aguardar pelas cenas do próximo capítulo nesta pré-campanha eleitoral!

©Artigo de Opinião publicado, em 10 de Julho de 2008, na Manchete do Notícias Lusófonas e no blogue “Pululu” sob o título “Senhor Ministro se for verdade só há uma solução: demitir-se

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Quantos mais acreditarem, mais teremos a certeza que Angola Vai Mudar

PARREIRA VAI PARA A UNITA COM O PAI (in: VOA-Multipress)

Depois de ter estado, de alguma maneira, ligado ao MPLA nas eleições de 1992, o que lhe valeu um cargo no Governo, o líder do Partido Angolano Independente (PAI) associou-se à UNITA para a corrida eleitoral de 5 de Setembro.

Em declarações à Voz da América, o também docente universitário, disse ter sido uma escolha acertada porque «só a UNITA garante uma mudança genuína e verdadeira.»

«Está consumada esta decisão para a qual contribuíram todos os militantes e membros do partido. Eu posso dizer que fizemos neste últimos 17 dias cerca de nove mil quilómetros para chegarmos aos nossos representantes nos municípios e comunas. Falamos com eles e partilhamos a sua vibração e o seu sentimento mais profundo de que o melhor caminho seria estarmos nesta lista da UNITA para uma vitória que estamos absolutamente certos que irá acontecer.»

Adriano Parreira, que aparece como candidato efectivo a deputado pela UNITA com o número 86, disse que a sua associação com a segunda força política mais votada nas eleições de há 16 anos foi uma opção que serve os interesses do país.

«É necessário mudarmos Angola que é isso que nós queremos. É necessário estarmos juntos não só o PAI, a UNITA mas todos os partidos na oposição. Nós estamos associados com a UNITA e iremos contra todas as marés estar juntos.»

O líder do PAI disse ter tido o apoio de todos os militantes para esta escolha, deixando implícito o voto deste partido para UNITA nas legislativas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

COMEÇOU A CAMPANHA "À MUGABE"

A RÁDIO DESPERTAR FOI NOTIFICADA PARA SUSPENDER AS SUAS EMISSÕES.
A ORDEM É DO INACOM E CONTA COM A HOMOLOGAÇÃO DO MINISTRO DOS CORREIOS E TELECOMUNICAÇÕES.
O INACOM (INSTITUTO ANGOLANO DE TELECOMUNICAÇÕES) ALEGA QUE O SINAL DA RÁDIO DESPERTAR ESTÁ IR MUITO LONGE (SENDO OUVIDA POR VEZES NO UIGE) E DEVE SER SUSPENSO POR 180 DIAS.
CURIOSAMENTE PARA ESTA REGIÃO CONVERGEM SINAIS DE TRÊS RÁDIOS DE LUANDA (CONFORME DESCRITO NUM DOS RELATÓRIOS DA MESMA ENTIDADE).
De facto, sob determinadas condições climatéricas, podem existir regiões fora da região de Luanda onde o sinal seja ouvido. O que qualquer técnico especialista pode explicar. E que até pode ser corrigido.
SENDO EMBORA ESTA UMA DECISÃO POSSÍVEL DE CONTESTAR VINDA DE UM ORGÃO QUE TRATA DAS QUESTÕES DO ESPECTRO RADIOELÉCTRICO, É FÁCIL PERCEBER QUE EXISTE A MÃO DO GOVERNO E DO MPLA POR DETRÁS DA NOTIFICAÇÃO.
AS OUTRAS EMISSORAS CUJO SINAL TAMBÉM CHEGAM AO UIGE NÃO FORAM NOTIFICADAS.

Em resumo, o governo angolano começou a mostrar a sua verdadeira face, resolvendo calar toda a oposição antes das eleições.
A Rádio Despertar foi concessionada a membros da UNITA ao abrigo dos acordos de Lusaka e embora seja uma rádio de cariz comercial, o tratamento imparcial da informação tornou-se rapidamente na emissora mais ouvida da capital.
Com esta atitude, o governo angolano inicia o caminho para realizar eleições "à mugabe", calando toda a oposição.
Mas certamente mais acções do tipo surgirão. O papel vai acabar nas tipografias que estejam a imprimir os jornais independentes, os contentores nos portos serão barrados com motivos burocráticos. Os jornalistas vão ver os seus cartões caducados à força.

É O DESESPERO A ACTUAR.
MAS COM FRAUDE OU SEM ELA, COM SILÊNCIO IMPOSTO À FORÇA OU SEM ELE VAI SER IMPOSSÍVEL MUDAR A VONTADE DO POVO ANGOLANO.
O POVO ANGOLANO SABE O QUE QUER E QUER A MUDANÇA.

MPLA recua na alteração à Lei Eleitoral

O MPLA retirou a sua proposta de alteração à Lei Eleitoral para permitir a votação em dois dias nas eleições legislativas de Setembro que deveria apresentar hoje à Assembleia Nacional de Angola.

Em vez de partir para uma apresentação de alteração legislativa, que passaria de certeza com a maioria absoluta que o MPLA tem no Parlamento, o partido do poder em Angola optou apenas por submeter a proposta à apreciação do plenário.

Este recuo do MPLA surgiu depois de uma acesa polémica com os partidos da oposição, que, em uníssono, criticaram a intenção de levar o Parlamento a votar a alteração à lei Eleitoral para prolongar o prazo da votação já marcada para 5 de Setembro.

As posições divergentes foram assumidas por deputados do MPLA, da UNITA e FNLA, aquando da discussão de introdução ou não na agenda de trabalhos do ponto sobre a alteração da Lei Eleitoral.

A lei actual estabelece o período de votação em apenas um dia, o que na óptica do partido maioritário resulta em tempo insuficiente para a realização do pleito eleitoral em determinadas regiões do país.

Nesse sentido, o grupo parlamentar do MPLA, assumindo a recomendação do Conselho da República, órgão de consulta do Presidente da República, em aconselhar o Parlamento a analisar a actual lei de forma a garantir que esta não seria impeditivo para todos poderem votar, tinha decidido submeter à Assembleia Nacional uma proposta de alteração à Lei nº 6/05, de 10 de Agosto sobre o processo eleitoral.

A proposta sugeria que o período das eleições legislativas fosse alargado para dois dias, em regiões onde se achasse conveniente, atribuindo essa competência de decisão às assembleias de voto.

O deputado Carlos Gonçalves, da FNLA, ao contestar a possibilidade, durante a reunião plenária de hoje, pediu a retirada do ponto da agenda considerando “extemporânea”, por atentar contra os “princípios elementares da democracia”.

“A nossa cultura em eleições é ainda muito ténue e carece de muitos cuidados”, disse.

Recordou que, “nas eleições de 1992, uma vez realizadas, e depois da contestação da UNITA pedindo a recontagem dos votos, estávamos todos ansiosos à espera porque a promessa tinha sido feita de que as urnas estavam guardadas em lugar seguro, no Banco Nacional de Angola”.

Só que, pormenorizou, “no dia seguinte não se encontraram urnas nenhumas. O que quer dizer que nós ainda não afinamos o mecanismo de segurança eleitoral”.

Idêntico ponto de vista foi partilhado pelo líder da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, que recomendou que para questões dessa natureza, nas “circunstâncias actuais deve prevalecer o bom senso, porque criam um certo desconforto, desconfiança e tensões desnecessárias”.

“Estas propostas de alteração à lei eleitoral deveriam ser feitas depois das eleições de Setembro, incluindo outras que também é necessário rever, já num ambiente mais calmo e fora do clima de pré campanha eleitoral”, defendeu Sakala.

Já o presidente da bancada parlamentar do MPLA, Bornito de Sousa, sugeriu apenas a alteração da redacção do ponto, passando para projecto de resolução sobre a recomendação do Conselho da República relacionada com a aplicação da Lei Eleitoral.

No entanto, o presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, emendou o referido ponto da agenda prevalecendo a apreciação da recomendação do Conselho da República remetido à Assembleia Nacional sobre a alteração da Lei Eleitoral, que deverá ser discutido quarta-feira.

O plenário de quarta-feira inclui ainda debates sobre o projecto de lei sobre o Conselho Nacional de Comunicação Social e a lei do direito de antena, resposta e réplica dos partidos políticos, numa iniciativa legislativa da oposição.

Integram a Assembleia Nacional de Angola, 219 deputados, sendo 129 do MPLA, 70 da UNITA, seis do Partido de Renovação Social (PRS), cinco da FNLA, três do Partido Liberal Democrático (PLD) e com apenas um assento parlamentar estão seis partidos, nomeadamente, O Partido de Aliança da Juventude Operária e Camponesa (PAJOCA), Partido Social Democrático (PSD), AD-Coligação, Partido Nacional Democrático de Angola (PNDA), Partido Renovador Democrático (PRD) e o Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional Angolana (PDP/ANA).

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Se houver democracia Angola muda
Se houver democracia o MPLA perde

Segundo dados da Comissão Europeia, as crianças representam 60% da população angolana, estimada em 12,5 milhões. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram, por seu lado, que metade das crianças não frequentam a escola, 45% sofrem de má nutrição crónica, uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos e que, apesar de a idade mínima para trabalhar ser os 14 anos, estima-se que 30% das crianças e adolescentes da minha terra, entre os 5 e os 14 anos, trabalhem.

Angola tem (quase) tudo para ser um grande país e até, daqui a algumas gerações, uma grande nação. Deus, seja Ele quem for, deu a este espaço africano (tão mal dividido à régua e esquadro pelos colonizadores europeus) tudo o que era preciso para ser o maior entre os maiores.

Também lhe deu, reconheça-se, um mosaico de povos capazes de valorizar mais o que os une do que o que os divide. Reconheça-se ainda, por ser um elementar acto de justiça, que lhe deu um colonizador melhor (é claro que com muitos defeitos) do que o atribuído a outros países da região.

Tenho (tanto quanto isso é possível) a certeza de que o que Angola não teve, nem tem, é bons amigos. Verdadeiros amigos. Americanos e soviéticos (entre os dois venha o Diabo e escolha) apenas se prestaram a ajudar o país porque a troco de um chouriço recebiam um porco. A troco de armas recebiam barris de petróleo. A troco de minas recebiam diamantes. Hoje será, talvez, diferente. Mas todos os cuidados são poucos.

Os amigos dos angolanos não são os que aparecem na Imprensa a oferecer carros aos sobas e muito menos os políticos que deixam o povo morrer è fome e compram quintas em Portugal. E não são porque, importa recordá-lo, esses são os mesmo que se orgulham de dizer que os seus cães merecem comer melhor (e comem mesmo melhor) do que os "kwachas".

As minhas dúvidas em relação a Angola: Eduardo dos Santos, um presidente democraticamente mugabiano, continua a confundir a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras. Diz o presidente que «honrar e declarar o nosso amor por Angola assume um carácter solene e especial». É verdade. Mas isso não basta.

As crianças que mendigam e morrem à fome nas ruas de Luanda também amam Angola. Amam-na e declararam esse amor. No entanto, Eduardo dos Santos, que tem pelo menos três refeições por dia, continua a nada fazer para lhes dar um prato de fuba.

Rui Mingas (um dos homens do presidente) dizia que, «nos antigamente», os angolanos apenas tinham «peixe podre, fuba podre, 30 angolares e porrada se refilares». E hoje? Hoje continuam a levar porrada, mesmo sem refilar, e nem peixe ou fuba podre têm.

«À força do povo angolano e à riqueza dos recursos naturais do nosso país, podemos juntar agora a serenidade que se instaura quando constatamos que nada mais pode pôr em causa o esforço colectivo para a construção do bem comum», afirmou Eduardo dos Santos.

Baixinho, creio eu, Eduardo dos Santos deverá ter acrescentado: olhai para o que eu digo e não para o que eu faço. E o povo que aplaudia, certamente pensou: quem nos dera ter de comer.

Sem desculpas, o Governo do MPLA teve tudo para mostrar do que era capaz. Não foi capaz de alimentar o povo e de dignificar os angolanos. Limitou-se a amamentar os poucos que tinham milhões, matando os milhões que têm pouco, ou nada.

Consciente de que Angola quer mudar, de que Angola vai mudar, os donos do poder até equacionam a oportuniade salvadora de um qualquer conflito armado, por pequeno que fosse. É que se a democracia triunfar, o MPLA perde. Se a democracia triunfar Angola ganha. E Angola só ganha se o MPLA perder.

Os poucos que têm milhões não vão abdicar de nada. A não ser que sejam obrigados, pela via eleitoral e na esperança que Eduardo dos Santos não diga, como o seu amigo Robert Mugabe, “que só Deus lhe pode retirar o poder”.

Resta-me esperar pelas eleições para ver se o futuro nasceu ou se, mais uma vez, será vítima da interrupção voluntária típica dos regimes ditatoriais.

Orlando Castro em www.altohama.blogspot.com

Angola tem mesmo de Mudar!!!

Sob o título "Se não há dinheiro como há quintas?" um post de Eugénio Almeida, no seu blogue "Pululu", que transcrevemos:

"Alguém explica como é que um general, que deve ganhar menos, muito menos, que o Presidente da República – até ganha mal, muito mal, para os valores do Ocidente –, apesar de ser o chefe da inteligência angolana, consegue ter dinheiro para comprar uma quinta em Portugal?

Está tudo
explicado na edição impressa do Público de hoje, secção de Economia, página 37; preços, hectares, quem era o anterior dono e, quem é o novo…

E porque não utilizou esses valores – e como os obteve? – para criar uma fazenda similar em Angola? Se é para exportação sempre seriam divisas externas que entrariam no País e o nome de Angola que estaria nas bocas do Mundo pelas boas razões…

É por estas e por outras que Angola tem de mudar se não quiser que se continue a se ouvir declarações como a de Bob Geldof!"


Pois não há dúvidas que ANGOLA TEM MESMO DE MUDAR!!!

A UNITA e os candidatos propostos

O semanário "A Capital", citado pelo Angonotícias terá afirmado, sob o título “UNITA livra-se dos 16 malditos e de outros inconvenientes”, que a Direcção da UNITA e o seu presidente, Isaías Samakuva, terão preterido todos aqueles que estiveram – ou estão – contra estes.

Todavia, mais adiante não deixa de referir que, ainda assim, houve alguns repescados como, e cita-se, "Eugénio Manuvakola, o primeiro presidente da ala renovadora da UNITA, cujo papel foi cruel na pressão política contra o então movimento rebelde de Jonas Savimbi. O primeiro secretário-geral da UNITA pós Jonas Savimbi, Paulo Lukamba Gato, também faz parte da lista, assim como todos os que, com ele, deram corpo à comissão de gestão" ou "Abel Chivukuvuku, adversário de Samakuva no último congresso do partido".

Por outro lado o A Capital regista a inclusão de um dos filhos de Jonas Savimbi, Massanga Sakaita, bem assim, nomes como Albertina Hamukwaia, antiga ministra da Saúde, Jaka Jamba e Raul Danda, indicados por Samakuva, conforme previsto estatutariamente na UNITA, esquecendo-se, ainda, que alguns elementos da Fundação 27 de Maio também foram incluídos como independentes, mostrando quanto abrangente e nacional é a lista da UNITA.

Só que A Capital se esqueceu de referir que, ao contrário de outros partidos, que até se dignam em colocar à cabeça quem, constitucionalmente, não deveria estar, bem assim sua esposa e uma das filhas – o que já está gerar “conflitos” entre os seus militantes e simpatizantes – a UNITA sufragou os nomes dos candidatos juntos das províncias, cidades e comunas havendo, por isso, nomes que foram preteridos pela população e não pela Direcção.

Mas como é mais fácil acusar uma Direcção e o seu líder…

Esquecem-se que nem todos estudam a política pelo mesmo livrinho…

Unita formaliza candidatura
às eleições legislativas

A Unita entregou hoje ao Tribunal Constitucional mais de 15 mil assinaturas e o restante processo que a habilita a concorrer nas legislativas de Setembro.

Durante o período da manhã de hoje, e poucos minutos depois da delegação da Unita, fez também a formalização da sua candidatura o Movimento Patriótico Renovador de Salvação Nacional (MPR/SN) - colocado em 72º lugar na lista de partidos legalizados, publicada em Dezembro de 2007 pelo Tribunal Supremo, nas vestes de Tribunal Constitucional.

Eram 11:45 quando a delegação do maior partido na oposição, integrada pelo secretário-geral, Abílio Camalata Numa, vice-presidente, Ernesto Mulato, secretário para a informação e marketing, Adalberto da Costa Júnior, e o secretário para as relações exteriores, Domingos Jardo Muekália, deu entrada no Tribunal, munida de sete pastas contendo o processo.

Após o célere procedimento burocrático de entrega, Adalberto da Costa Júnior disse à imprensa que a Unita cumpre, assim, com os dois actos exigidos pela Lei Eleitoral, designadamente a apresentação das assinaturas e das listas dos candidatos a deputados à futura Assembleia Nacional.

De acordo com o responsável, em relação ao primeiro requisito, o seu partido conseguiu reunir 17 mil e 200 assinaturas. Quanto aos candidatos, do processo entregue constam 130 concorrentes efectivos e 45 suplentes para o círculo nacional e 90 outros efectivos e igual número de suplentes para os círculos provinciais.

Após a entrega, a delegação reuniu-se com o Juiz Presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, de quem recebeu esclarecimentos sobre o procedimento seguinte ao acto de formalização efectuado hoje.

O prazo para a formalização das candidaturas dos partidos políticos às eleições de Setembro termina hoje, 7 de Julho. Desde o início da entrega das candidaturas, a 26 de Junho último, formalizaram os partidos MPLA, PDP-ANA, PDA, PRS, PSA, PADEPA, e as coligações UTPA, PPE e CPO.

Para hoje aguarda-se que o PLD, a FNLA, PAJOCA, entre outras formações políticos, procedam a entrega dos seus processos, incluindo as 15 mil assinaturas, cada um, habilitando-se, deste modo, a concorrerem nesta que será a segunda eleição legislativa de Angola, desde 1992.

Fonte: Angop

E agora vamos rir um pouco...


O ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, anunciou no dia 26 de Junho deste ano, que era intenção do governo angolano construir ou reconstruir cerca de mil e quinhentas (1.500 isso mesmo) pontes de médio e grande porte, assim como reabilitar mais de 12 mil quilómetros da rede nacional de estradas até 2012.

Fazendo contas verificamos que do dia 26 de Junho de 2008 até ao dia 31 de Dezembro de 2012 vão 1650 dias (contando feriados e fins de semana).

Dividindo as 1500 pontes que o ministro anunciou pelos dias que faltam, dá uma média de 0,9 pontes por dia. Se dividirmos os tais 12.000 quilómetros de estradas pelos 1650 dias dá uma média de 7,27 quilómetros ao dia.

Portanto é simples, cada dez dias o Mpla tem de apresentar 9 novas pontes e 72,7 quilómetros de estradas. Simples.

Do dia 26 Junho até hoje 7 de Julho, são 12 dias.

Então senhor ministro onde estão as 10 pontes e os 87,27 kms de estradas, que já deviam ter sido apresentadas ?

domingo, 6 de julho de 2008

Dúvidas e (in)certezas sobre Angola

Por Orlando Castro

Isaías Samakuva sabe o que fazer agora que as eleições estão aí ao dobrar da esquina, se é que estão?

Samakuva sabe como se pode vencer o MPLA. Mas Eduardo dos Santos sabe também como derrotar a UNITA. E para a derrotar tem de mandar a democracia dar uma volta, não ao bilhar grande mas ao Zimbabué. Falta saber se a comunidade internacional quer, ou não, evitar mais um barril de pólvora.

Haverá mesmo eleições?

Nesta matéria como em muitas outras, espero para ver. Para mim a estratégia do partido que comanda Angola desde 1975 continua a ser a de fingir, a de dar a ideia para o exterior que a democracia existe no país. Mas isso é falso. A democracia não é uma coisa abstracta. Tem parâmetros que a definem. E esses não existem. Alguém vê os tribunais a julgar? Não. Alguém vê o Parlamento a legislar? Não. Alguém vê o Governo a governar? Não. Quem manda, quem se substitui aos tribunais, à Assembleia Nacional e ao Governo é uma entidade não eleita que dá pelo nome de Presidência da República. Eleições? Quero ver para crer.

Mas é preciso começar por algum lado?

É claro que é e a UNITA mostrou de forma inequívoca que sabe o que é a democracia e adoptou-a definitivamente. Pelo exemplo dado estão no bom caminho. Aliás, Samakuva sabe que essa é a única via que tem para mostrar ao ao mundo que as democracias ocidentais estão a sustentar um regime corrupto e um partido que quer perpetuar-se no poder.

E a UNITA terá a partir e agora um novo alento, um alento decisivo?

Novo alento terá, com certeza. Decisivo já não sei. Vamos ver a equipa que Samakuva porá no terreno para sabermos se é uma equipa, se um conjunto de jogadores, ou apenas uns tantos amigos e apoiantes.

O futuro é sombrio?

Depende. A UNITA mostra todos os dias que é possível a democracia funcionar em Angola e, porque não dizê-lo?, em África. Mas será isso suficiente? Não. Não é. O mundo ocidental está (como sempre esteve) de olhos fechados para o enorme exemplo que a UNITA deu e continua a dar. Em 2003, abriu bem os olhos porque esperava o fim do partido. Isso não aconteceu. Agora vamos ver. O Ocidente vai – na minha opinião – querer continuar a ter boas relações com um regime corrupto e ditatorial. Porquê? Porque em democracia, como pretende a UNITA, isso não é possível.

Então o futuro não é sombrio, é tenebroso?

Como dizia o meu amigo Aurélio Vida de Deus, num artigo recente publicado no Notícias Lusófonas, o Ocidente “não vai reagir porque não interessa que a Democracia funcione em Angola, assim como não interessa que haja eleições, ao fim e ao cabo Angola está em Paz e nenhum governo “democrático” exige que haja eleições neste País”.