sábado, 6 de setembro de 2008

Será que como Robert Mugabe
só Deus poderá demitir o MPLA?

A UNITA vai impugnar as eleições angolanas, segundo confirmou hoje o dirigente e presidente do grupo parlamentar do partido, Alcides Sakala. Não adianta.

O MPLA, que fez as regras do jogo, que é árbitro e jogador, que é dono do campo, não o permite. Por muito que as irregularidades o justifiquem (e justificam), não adianta julgar-se que se está num Estado de Direito quando, de facto, (ainda) se está num reino onde o soba põe e dispõe.


A decisão de impugnar o escrutínio foi hoje confirmada por Alcides Sakala depois de na noite de ontem já o presidente do partido do Galo Negro, Isaías Samakuva, ter exigido a anulação e a repetição das eleições em Luanda devido ao seu "colapso" nesta província.

Até mesmo os observadores internacionais, também eles iludidos quanto a Angola ser um Estado de Direito, foram aconselhados a moderarem as críticas.

Alcides Sakala adiantou ainda que a UNITA está a recolher em todas as 18 províncias de Angola os "inúmeros casos" de irregularidades, incluindo "falhas organizativas, impedimento de eleitores votarem, violência e intolerância políticas" para completar o processo de impugnação das eleições que vai ser enviado ao Tribunal Constitucional.

Como sempre, os órgãos oficiais do MPLA (Jornal de Angola, TPA, RNA) ajudaram à festa no sentido de corroborar as teses do soba Eduardo dos Santos. Ou seja, garantem que tudo correu às mil maravilhas.

Entretanto, também já hoje, o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Ngola Kabango, considerou que o processo eleitoral das legislativas de ontem "não tem credibilidade" e que os resultados "serão sempre duvidosos".

Kabango tem razão mas comete o mesmo erro da UNITA. A força da razão só é válida quando aplicada a um país que não usa a razão da força. Não é o caso de Angola.

Ngola Kabango considerou que as segundas eleições angolanas resultaram de "um trabalho torto" mas, escusando-se a pedir a anulação, disse que a CNE "vai ter que aceitar e decidir com os partidos uma solução para salvar o processo eleitoral".

O MPLA mostra-se contudo receptivo a adoptar a regra de Robert Mugabe: “Aceitamos rever tudo desde que continuemos nós a ser donos do país”.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Maioria qualificada para o MPLA? Quem a descobriu?

Um portal noticioso sedeado no Brasil, de nome Portugal Digital, afirma com a segurança que só ele sabe de onde retirou – provavelmente a mesma segurança que dirigentes do MPLA e alguns diplomatas têm tentado mostrar em reuniões com diplomatas estrangeiros – que o MPLA vai, seguramente, obter uma clara maioria qualificada.

Considerando que devido à dispersão humano-territorial – Angola tem cerca de 14 a 15 milhões de habitantes e quase 1/4 vive em Luanda – e à elevada concentração de população em Luanda onde o MPLA nesta altura dá mostras de uma certa e manifesta fraqueza;

Tendo em linha de conta que os responsáveis técnicos da campanha do MPLA são brasileiros, com a particularidade do responsável máximo ter sido – ou é – funcionário da Rede Globo de notícias, próxima do poder de Luanda que domina a TPA;

Argumentado o portal que a sondagem foi feita por uma equipa angolano-brasileira – provavelmente a mesma que assessora o MPLA na campanha – tendo ouvido 4000 pessoas em 18 províncias;

Apreciando que se alguém me fizesse uma pergunta dessas e sabendo que são brasileiros que estão a apoiar o MPLA eu nunca iria dizer que iria votar noutro partido, o que deixa no ar que a qualidade do voto livre e do livre pensamento dos Angolanos é diminuta, como a própria e insuspeita Chatham House (Instituto Britânico de Relações Internacionais) relembra;

Ponderando que o Governo brasileiro de Lula da Silva deseja que o MPLA se mantenha no poder para fazer de Angola, como já acordou, um “celeiro” para provir a matéria-prima necessária para o biocombustível e sabendo que a oposição é contrária a essa vontade;

Tendo em consideração que militantes do MPLA são claros e frontais – pelo menos aqueles com quem falei e sei com quem posso contar – que a grande preocupação do partido é conseguir, pelo menos, a maioria absoluta;

E, finalmente, considerando que Angola não tem condições para serem feitas sondagens, além de que as mesmas são proibidas desde o início da campanha;

É estranho, muito estranho, que o referido portal noticioso consiga ser tão ambicioso nos números apresentados, ou não estivesse o Portugal Digital associado à CCA - Consultores de Comunicação Associados, por sua vez, associados à Editora Movimento (próxima do MPLA), à revista Africa21 (próxima do verdadeiro poder em Luanda);

Será porque em Brasília e Lisboa alguém anda a começar a segurar as calças com medo de alguma eventual diarreia mento-anal?

Mas se pensarmos que a CNE (Comissão nacional Eleitoral) se anda a esquecer de dar as credenciais para os observadores da oposição em algumas províncias do País, então…

Vamos lutar pela Mudança e mostrar que os brasileiros estão e continuam a estar enganados, porque Angola não lê os mesmos cadernos eleitorais nem da mesma forma que o Brasil… onde até cadastrados ou eventuais homicidas são potenciais elegíveis!
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